Novo Corolla evolui com consistência, mas tem deslizes

Toyota lança a nova geração do sedã médio, que chega com visual renovado, mais espaço interno e novo câmbio CVT; falta de equipamentos é ponto fraco

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Sedã tem visual inspirado na versão europeia
Toyota/Divulgação
Sedã tem visual inspirado na versão europeia

A Toyota não esconde a missão que o novo Corolla terá no mercado brasileiro: durante o evento de lançamento do modelo, os executivos da marca afirmaram que o objetivo é voltar a liderar o segmento de sedãs médios, que atualmente está nas mãos do arquirrival Honda Civic. Para cumprir o objetivo, o fabricante optou por renovar, mas não por revolucionar.

Seguindo a ideia de aprimorar sem radicalizar, o Corolla fez evoluções em alguns aspectos que a antiga geração não se destacava. A arcaica caixa automática de quatro marchas, por exemplo, foi substituída por uma do tipo CVT, com simulação de sete velocidades. Essa transmissão é de série nas configurações XEi 2.0 e Altis 2.0, complementada com borboletas no volante para fazer trocas manuais e tecla Sport para privilegiar o desempenho. Na versão GLi 1.8, o câmbio automático não dispõe dessas duas últimas funções, mas, por outro lado é oferecido também um sistema manual, com seis marchas.

Outro aspecto no qual o Corolla evoluiu foi no espaço interno, principalmente atrás, onde a antiga geração era um tanto modesta. Ali, o vão para os joelhos foi ampliado em 92 mm, em consequência direta do aumento da distância entre-eixos em 10 mm, atingindo o total de 2,70 m. As demais dimensões externas também cresceram: o sedã ganhou 8 cm no comprimento, inteirando 4,62 m, e 8 cm na largura, chegando a 1,77 m. Já a altura diminuiu 5 cm e agora chega a 1,47 m. O porta-malas continua com 470 l de capacidade.

Reposicionamento

A Toyota aproveitou a chegada da nova geração para enxugar a linha. As versões XLi 1.8 (básica) e a XRS 2.0 deixam de ser oferecidas. Agora, a gama começa na configuração GLi 1.8, que custa R$ 66.570 com câmbio manual e R$ 69.990 com transmissão automática, com pacote de série que inclui travas, vidros e retrovisores elétricos, ar-condicionado, direção com assistência elétrica, sistema de som com conexão bluetooth, entrada USB e seis alto-falantes, cinco airbags (dois frontais, dois laterais e um para os joelhos do motorista) e Isofix. Logo acima, é oferecido o modelo XEi 2.0 automático, que é tabelado em R$ 79.990 e acrescenta bancos revestidos em couro, com divisão 1/3 e 2/3 na traseira, ar-condicionado digital, retrovisor interno eletrocrômico, cruise control, central multimídia com TV digital, navegador GPS, DVD player e câmera de ré, além do motor mais potente e do câmbio com mais funções.

O top Altis 2.0 automático tem preço de R$ 92.990 e inclui ainda airbags do tipo cortina, sistema de partida sem chave, faróis baixos e faroletes em LEDs, sensor crepuscular, retrovisores externos eletricamente escamoteáveis e banco do motorista com comandos elétricos.

Impressões

Se o Corolla conseguirá ou não retornar a liderança em vendas entre os sedãs médios, só o tempo irá dizer. Quando se dirige o modelo, fica claro que há bom predicados, embora com algumas ressalvas. A nova carroceria realmente propiciou melhoria perceptível no espaço interno. Atrás, dois adultos sentam-se com bastante conforto, graças à ampliação do vão para as pernas. Se três pessoas se acomodarem ali, não haverá tanta folga, mas tampouco a convivência não ficará abalada pelo aperto. Há uma tomada 12V voltada para o banco traseiro, mas ainda não foi dessa vez que o sedã ganhou difusores de ar-condicionado exclusivos para a turma do fundão.

Por sua vez, o motorista também goza de boa acomodação, com posição de dirigir ergonômica. O banco proporciona bom apoio para o corpo, o volante tem boa pegada e os instrumentos são de fácil visualização. A coluna de direção é regulável em altura e profundidade, e banco também conta com ajuste de altura. Outro ponto em que houve evolução foi no acabamento. A nova geração do Corolla tem material emborrachado no painel e nas quatro portas, com arremates corretos, embora o design da cabine siga as premissas de discrição e tradicionalismo que parecem balizar todo o projeto do sedã da Toyota. Durante o evento de lançamento, Carro&Cia experimentou a versão XEi 2.0. A nova transmissão CVT, sem dúvida, é uma das maiores benesses da nova geração em relação à antiga, pois permite aproveitar melhor o fôlego do propulsor. O Corolla realmente ficou mais esperto, com acelerações e retomadas nitidamente mais rápidas. As sete marchas virtuais também agradaram, pois quebram a monotonia que muitas vezes é associada a esse tipo de sistema, sem prejudicar a suavidade de operação. Com a tecla sport acionada, o motor trabalha em giros mais elevados, melhorando ainda mais o desempenho. Se a performance ainda não for suficiente, basta colocar a alavanca no modo sequencial e operar o sistema por conta própria, por meio das aletas no volante. A suspensão manteve a calibragem mais macia, voltada para um rodar suave, mas até consegue dar boa estabilidade ao sedã, que encara curvas e desvios de trajetória com segurança. A direção é que pareceu um tanto "boba". Ainda que a assistência elétrica seja progressiva e que a Toyota informe ter deixado o sistema 8% mais direto, o volante permanece mais leve e indireto que o ideal em velocidades mais altas. Em termos de projeto, o Corolla evoluiu de modo consistente. O grande ponto fraco do sedã, todavia, ainda está na oferta de equipamentos limitada em relação ao preço de compra, mal que já acometia a antiga geração. Ainda que o modelo recém-lançado ofereça alguns mimos a mais que o antecessor, seguem fazendo falta itens como teto solar, sensor de chuva e faróis direcionais, indisponíveis até mesmo na versão top. Isso sem falar na ausência dos controles eletrônicos de estabilidade e de tração, muito importantes para a segurança, que também estão ausentes em toda a linha. Outro deslize é a oferta dos airbags do tipo cortina apenas no Altis: bem que a proteção extra poderia ser incluída já a partir da configuração XEi. Nesse ponto, alguns concorrentes levam vantagem, pois oferecem todo o pacote citado sem cobrar mais por ele.

O jornalista viajou a convite da Toyota

Atualizado em 12/03/2014 às 17h15

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