Governo é derrotado e comissão é criada para investigar Petrobras

Plenário da Câmara dos Deputados aprovou criação de comissão; decisão é considerada derrota do governo federal após tentativa de isolar o líder do PMDB na Câmara

iG Minas Gerais | Da redação |

Por 267 votos a favor, 28 contrários e 15 abstenções, o plenário da Câmara aprovou no início da noite desta terça-feira (11) requerimento de criação de comissão externa para investigar denúncias contra a Petrobras na Holanda. O requerimento, apresentado pela oposição, ganhou o apoio de partidos da base que integram o chamado “blocão".

Durante almoço que reuniu líderes do “blocão” nesta terça, a decisão de enfrentar a votação do requerimento, criando a comissão externa, foi reafirmada. Há duas semanas, o requerimento foi colocado em pauta, mas o governo agiu, e o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), acabou não recolocando em pauta, adiando a votação.

Assim que o resultado foi anunciado, oposicionistas e aliados rebelados comemoraram. Deputados do PT e do PCdoB lamentaram a decisão tomada no plenário. A decisão é considerada uma derrota do governo, após tentativa de isolar o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha.

Antes da votação, o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, afirmou que era preciso dar uma resposta sobre as notícias envolvendo a Petrobras e respondeu ao líder do PT, Vicentinho, que afirmou que os deputados queriam “passear” na Holanda. “A Câmara é obrigada a dar uma resposta sobre as notícias da Petrobras. Não é ruim passear, o PT já passeou no Haiti”, disse Arantes.

Entenda o caso

Uma denúncia de um ex-funcionário da SBM Offshore, empresa holandesa que aluga navios-plataforma (FPSOs) para petroleiras, sugere que funcionários da Petrobras receberam propina para fechar negócios. Segundo o Ministério Público da Holanda, as informações do depoimento fazem parte de investigação no país. O relatório de denúncia, assinado apenas por FE (ex-funcionário, na sigla em inglês), acusa a SBM de pagar US$ 250 milhões em propinas a autoridades de governos e de empresas estatais de diversos países, incluindo o Brasil, para acelerar o fechamento de contratos.

O esquema brasileiro ficaria com a maior parte, envolvendo US$ 139,2 milhões, destinados a funcionários e intermediários. Segundo o denunciante, que se autointitula diretor de vendas e marketing, o pagamento de propinas estaria claro em uma troca de e-mails entre executivos da SBM, em abril de 2011.

A Petrobras iniciou investigação interna sobre a denúncia. A auditoria tinha prazo de 30 dias para ser concluída, que encerra-se agora, em meados de março.

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