Inspirado pela mãe, Goulart sonha com a artilharia da Libertadores

Meia-atacante celeste, que tem Ronaldinho Gaúcho como ídolo no futebol, tem a chance de assumir o topo da lista de goleadores nesta terça, contra o Defensor

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO* |

Goulart sabe que missão da Raposa no Pacaembu será difícil, mas aposta no alto poder de fogo do time para bater o Corinthians
Washington Alves/VIPCOMM
Goulart sabe que missão da Raposa no Pacaembu será difícil, mas aposta no alto poder de fogo do time para bater o Corinthians

O meia-atacante Ricardo Goulart tem a meta pessoal de ser o artilheiro da Copa Libertadores da América nesta temporada. Com três gols anotados na competição continental, todos diante da Universidad de Chile-CHI, o atual segundo colocado na lista de goleadores do torneio tem a chance de marcar mais tentos nesta terça-feira, às 19h, contra o Defensor-URU, no estádio Luis Franzini, em Montevidéu.

Além de querer ajudar a Raposa a vencer para liderar o grupo 5 da Libertadores de forma isolada, o jogador busca o triunfo para homenagear uma pessoa especial: sua mãe, Rose Goulart, que faleceu em 2010 e, segundo o próprio atleta, é fonte de inspiração para seus objetivos pessoais.

"Meus pais são as pessoas mais importantes da minha vida. Eles sempre me apoiaram e me ajudaram a realizar o sonho de ser jogador profissional. Devo tudo na vida aos meus pais. Fico triste pela minha mãe. Eu perdi ela em 2010 e foi o momento mais difícil da minha vida. Ela só viu um jogo meu do profissional, quando eu ainda jogava pelo Santo André. Queria que ela estivesse aqui para ver mais jogos, a realização do meu sonho e tudo o que estou conquistando", diz o meia em entrevista exclusiva ao Super FC.

E se a mãe é a inspiração de Goulart para a vida, o atleta tem outros espelhos dentro de campo. Um deles, curiosamente, é o grande ídolo do rival: Ronaldinho Gaúcho.

"O Kaká, o Ronaldinho Gaúcho e o Fenômeno são meus ídolos e me inspiro neles. Eles conquistaram grandes títulos, foram melhores do mundo. Sonho em um dia chegar onde eles conseguiram chegar", conta.

Melhor fase

Em 2013, o meia foi um dos destaques do Cruzeiro, mas viu Everton Ribeiro ser o protagonista do tricampeão brasileiro. Neste ano, o panorama mudou, e o camisa 28, que é o craque celeste na Libertadores, vê a fase atual como a melhor da carreira. "O ano de 2013 foi muito importante para mim e para o Cruzeiro, e o começo de 2014 está muito bom, vem sendo a minha melhor fase. Espero continuar ajudando meus companheiros e conquistar os títulos da temporada, porque são os títulos que marcam a carreira de um jogador", afirma.

Goulart também comentou as expectativas da Raposa para a temporada e mostrou muita confiança. "Somos favoritos para conquistar todos os títulos do ano. É o nosso objetivo. Claro que com muito respeito aos adversários, que são difíceis, mas vamos lutar e dar o máximo para alcançar os nossos objetivos", garante.

Futuro

O sonho de todo jogador é jogar na Europa e defender a seleção brasileira, e com o meia não é diferente. No entanto, ele garante estar focado na Raposa e diz que ainda não foi procurado por clubes do Velho Continente.

"Tenho o sonho de ir jogar na Europa, mas antes quero ganhar mais títulos no Cruzeiro. Estou focado aqui", conta.

Entrevista

Além da inspiração da mãe, de seus ídolos dentro das quatro linhas, dos sonhos para a carreira e das expectativas para a temporada do Cruzeiro, Ricardo Goulart também falou sobre o que gosta de fazer fora de campo, a importância de Marcelo Oliveira em seu futebol, seleção brasileira e o estilo de jogo da Raposa.

Confira o bate-papo completo de Ricardo Goulart com o Super FC:

O Cruzeiro já começou bem o ano. É líder do Mineiro e depois de perder para o Real Garcilaso, massacrou a Universidad de Chile no Mineirão. A Raposa é favorita em todos os campeonatos de 2014?

Sim. Somos favoritos para conquistar todos os títulos. É o nosso objetivo. Claro que com muito respeito aos adversários, que são difíceis, mas vamos lutar e dar o máximo para alcançar os nossos objetivos.

Você atuou como falso 9 no jogo contra o Atlético, no ano passado atuou no meio-campo aberto pelos lados e centralizado encostando no Borges. Você é polivalente e pode atuar em vários setores no campo ofensivo, mas qual é a posição em que você mais gosta de atuar?

Sou meia, mas posso jogar na frente também, e na posição em que o Marcelo [Oliveira, técnico] me colocar darei o meu máximo. Eu sou mais meia mesmo e gosto de jogar mais no meio, mas sempre que jogar no ataque, quando o Marcelo me escalar, darei o máximo. É uma posição que gosto de jogar também e que tenho treinado bastante.

Qual a importância do Marcelo Oliveira para o seu futebol?

Ele é um grande profissional e está me ajudando bastante. Quero retribuir tudo que ele fez por mim. Ele trabalha e me cobra bem as finalizações e o jogo dentro da área. Ele tem uma porcentagem boa na evolução do meu futebol e devo muito ao professor.

Falando de 2013, qual o segredo e o que foi fundamental para o Cruzeiro ter um ano de 2013 vitorioso? (Ninguém esperava que um time montado durante a pré-temporada daria tão certo.)

Foi muito trabalho. Trabalhamos muito forte individualmente e coletivamente, e o time se encaixou muito bem. O grupo foi bem montado e o Marcelo [Oliveira, técnico] também foi muito importante com a liderança dele. Foi muito gratificante ganhar o Brasileirão para coroar o nosso bom ano.

Em 2013 você foi um dos destaques do Cruzeiro, mas o Everton Ribeiro despontou e foi o craque do Brasileirão. Em 2014, no entanto, você já está tendo um papel de destaque na Libertadores, inclusive brigando pela artilharia. Essa é a melhor fase da sua carreira?

O ano de 2013 foi muito importante para mim e para o Cruzeiro. E o começo de 2014 está muito bom, vem sendo a minha melhor fase. Espero continuar ajudando meus companheiros e conquistar os títulos da temporada. Quero alcançar meus objetivos individuais e títulos, porque são os títulos que marcam a carreira de um jogador.

Quais são esses objetivos individuais que você comentou?

Já que estamos aí na briga, a artilharia, né. Quero ser o artilheiro da Libertadores neste ano. Claro, com muito respeito aos adversários, mas é o meu objetivo individual.

Agora é fácil falar porque o Cruzeiro é tricampeão brasileiro e viveu um excelente ano em 2013. No entanto, quando você foi contratado, o Cruzeiro vinha de um 2012 ruim, enquanto o Atlético, que também te procurou, era o atual vice-campeão brasileiro e tinha vaga garantida na Libertadores. Por que a escolha pelo Cruzeiro ao invés do Atlético?

Foi a minha escolha na época. O Cruzeiro estava montando um bom elenco. Mas não quero falar muito disso, estou muito feliz e focado no Cruzeiro e isso ficou no passado.

O que você mais gosta de fazer fora de campo?

Gosto muito de ficar em casa, descansando por causa da sequência de jogos. Aí fico jogando videogame em casa. Curto muito o Call Of Duty.

Quem é o seu grande amigo no Cruzeiro fora de campo?

Ah, o Everton [Ribeiro], né. Eu tenho uma intimidade maior com ele. Saímos muito juntos e com nossas mulheres. A nossa amizade vem se fortalecendo e o nosso grupo é muito unido e tranquilo. E isso dá resultado dentro de campo.

E como está a cabeça do Everton Ribeiro? (Muita gente tem pedido ele na seleção brasileira, mas ele não teve chances com o Felipão.)

Olha, não posso falar porque é uma questão pessoal dele, mas ele está muito tranquilo no dia a dia do Cruzeiro. Ele está muito tranquilo e isso não tem afetado ele.

Falando em seleção, todo jogador sonha com a seleção brasileira. Para esta Copa do Mundo é difícil, o próprio Felipão disse que o grupo está praticamente fechado, mas você acha que pode fazer parte do grupo em 2018 ou é muito cedo para falar?

Não é cedo não, já tenho 22 anos e experiência, vou trabalhar muito para isso. Claro que respeito muito a opinião do Felipão, o grupo está praticamente fechado, mas para 2018 eu tenho o sonho de jogar pela seleção. São quatro anos e quero fazer boas temporadas para jogar a Copa do Mundo. É um sonho jogar a Copa com a camisa da seleção.

Qual é o seu ídolo e o jogador em que se inspirou?

O Kaká, o Ronaldinho Gaúcho e o Fenômeno são meus ídolos e me inspiro neles. Eles conquistaram grandes títulos, foram melhores do mundo. Sonho em um dia chegar onde eles conseguiram chegar.

Qual o seu sonho para o futuro?

Tenho o sonho de ir jogar na Europa, mas antes quero ganhar mais títulos no Cruzeiro. Estou focado aqui, mas depois tenho esse sonho de ir para a Europa e jogar no futebol europeu.

E tem algum clube que você sempre sonhou em defender?

Não tem um clube específico, mas gosto muito do Campeonato Inglês e do Campeonato Alemão. São excelentes campeonatos e sonho em jogar em um grande clube dessas ligas.

Algum clube já te procurou?

Isso fica por conta do meu empresário, com quem sempre converso. Estou focado no Cruzeiro e não penso nisso no momento, mas meu empresário não falou comigo sobre isso, não chegou nada. Quando chegar, vocês vão ficar sabendo [risos].

Qual foi o momento mais difícil da sua vida pessoal e/ou profissional, e qual pessoa foi fundamental na sua carreira?

Meus pais, cara. Eles me deixaram realizar o sonho de ser jogador profissional e sempre me apoiaram. Devo tudo na minha vida aos meus pais. O momento mais difícil foi em 2010. Eu perdi minha mãe nesse ano e ela só viu um jogo meu do profissional, quando eu ainda jogava pelo Santo André. Eu queria que ela estivesse aqui para ver mais jogos, a realização do meu sonho e tudo o que estou conquistando.

*Colaborou Gabriel Pazini

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