Cada vez mais passageiros

Desinformação, veículos e estações cheios não desanimam usuários, em busca de rapidez e conforto

iG Minas Gerais | Jhonnny Cazetta / Joana Suarez / Luciene Câmara |

Região Centro-Sul. Motoristas tiveram dificuldade em fazer curva na avenida Getúlio Vargas com rua Professor Moraes, na Savassi
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Região Centro-Sul. Motoristas tiveram dificuldade em fazer curva na avenida Getúlio Vargas com rua Professor Moraes, na Savassi

Muitos ônibus articulados do Move (nome dado ao BRT) circularam lotados nessa segunda, primeiro dia útil de funcionamento do novo sistema de transporte da capital. Apesar de os passageiros ainda poderem usar o metrô e as linhas convencionais, vários optaram pelo Move, em período de experimentação. Em meio a elogios a um serviço considerado diferenciado, reclamações e dúvidas dos usuários feitas no último sábado – estreia do BRT – se repetiram nessa segunda.

Como ocorreu no fim de semana, a reportagem fez dez viagens nas três novas linhas do sistema. O ônibus que vai da Estação São Gabriel ao centro, sem parar, saía com vários passageiros em pé e nas portas. “A maioria das viagens que eu fiz foi cheia, mas ficar só 20 minutos em um ônibus lotado, com ar-condicionado, é melhor que permanecer duas horas no outro (convencional), quente”, ponderou João Raulino, 52, motorista do Move. “Mesmo cheio, se for só 20 minutos, está bom”, disse o técnico de manutenção Aurélio Garcia, 42. A volta para casa foi de ônibus ainda mais cheios. Muita gente que foi trabalhar por outros meios voltou para casa de Move, que atrai cada vez mais usuários. “Vim trabalhar de ônibus normal e vou voltar de Move, apesar de já estar cheio”, disse a técnica em segurança do trabalho Mileide Oliveira, 27. Nessa segunda, foram realizadas 124 viagens. A BHTrans não divulgou um balanço de passageiros. Gerente de operação do Move, Artur José Abreu afirmou que ainda não está previsto aumentar o número de ônibus para atender a demanda – apenas 18 dos 470 ônibus prometidos para compor o sistema estão circulando nessa primeira fase. “Como os horários estão sendo cumpridos, não planejamos alterações neste primeiro momento”. A estratégia de substituir as linhas convencionais pelo Move somente nas próximas semanas está correta, segundo o engenheiro Márcio José Aguiar, especialista em trânsito. “O jeito agora é esperar o projeto ser todo implantado. Sem retirar as outras linhas do centro da cidade, a utilização de mais ônibus do Move só irá piorar o trânsito”. Falhas. A falta de informação e os equipamentos sem funcionar nas estações causaram confusão em mais um dia de funcionamento do sistema. Faltavam dados sobre horários de ônibus em alguns painéis. A doméstica Maria Rubio, 46, teve que pagar uma passagem a mais porque o motorista do ônibus parou fora da Estação São Gabriel. “Como o trânsito estava parado, ele não quis entrar na estação, e a gente não sabia que teria que passar por catracas”.

Outro problema foi o acúmulo de ônibus na estação. Quando os veículos chegavam para desembarcar passageiros, usuários entravam no coletivo, impedindo que o ônibus fosse à área de estacionamento aguardar a próxima partida. “Ninguém fala nada, e ficamos aqui sentados igual bobo”, disse a vendedora Clara Moreira, 36. Para o gerente do Move, os primeiros dias são de aprimoramento. “Sem dúvidas, hoje (segunda) é o grande teste. Estamos resolvendo a questão da informação, que deixou um pouco a desejar”, admitiu.

Ponto crítico

Curva. Diante da dificuldade de motoristas em fazer a curva na avenida Getúlio Vargas com rua Professor Moraes, na Savassi, a BHTrans retirou uma placa do local e vai realocar o sinal de pedestres.  

Problemas ainda atrapalham o usuário Demora. Apesar de a BHTrans ter afirmado, por meio de assessoria, que não houve atraso, o tempo de espera foi uma das principais reclamações dos usuários das linhas 83P e 83D. Bilheteria. Enquanto os ônibus articulados começam a rodar a partir das 5h, as bilheterias do Move só abrem às 5h40. No início do dia dessa segunda, houve tumulto por causa disso entre os usuários na Estação São Gabriel. A BHTrans informou que usuários podem adquirir e recarregar créditos nas bilheterias do metrô São Gabriel. Equipamentos. Na Estação São Gabriel, catracas continuavam sem funcionar nessa segunda e não havia extintores de incêndio. As portas de vidro das estações de transferência também não estavam operando de forma automática. Segundo a BHTrans, os problemas serão solucionados em breve, e os extintores seriam instalados nessa segunda. Faixas exclusivas. A autarquia prometeu nessa segunda que, assim que passar o período de chuvas, vai pintar faixas preferenciais para ônibus na região hospitalar e na Savassi.

Pedestres Enquanto o Move têm corredores exclusivos, pedestres atravessam sem faixas de proteção em ao menos dois pontos da avenida Cristiano Machado – em frente às cabines das estações União e Ouro Minas. As grades do corredor exclusivo estão abertas, e quem atravessa no semáforo da pista mista tem que usar a pista de ônibus até o outro lado. Nessa segunda, pedestres eram orientados pelo porteiro Alexei Rolim, 45, de forma voluntária. Na Estação Central, algumas faixas de pedestres não foram pintadas – por causa da chuva, segundo a BHTrans.

Estacionamento Muitos motoristas ainda têm dificuldade de parar os ônibus articulados rente às plataformas, oferecendo risco aos usuários. Em alguns casos, a traseira ficou a 40 cm de distância – o ideal é no máximo 13 cm. Os condutores alegam que os veículos estão desalinhados e que algumas estações não têm a borracha de proteção que evita que o ônibus seja arranhado ao se aproximar da plataforma, dificultando a parada. Agentes da BHTrans orientavam os motoristas a tentar estacionar novamente e, para evitar acidentes, não abrir as portas que ficarem distantes.

 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave