Leonardo Silva abre o jogo em entrevista exclusiva ao O TEMPO

Defensor relembrou os momentos marcantes de 2013, detalhes de sua carreira, as expectativas para 2014 e o amor pelo Atlético

iG Minas Gerais | VICTOR MARTINS |

Esportes - Especial - Belo Horizonte MG
Entrevista exclusiva com Leonardo Leo Silva jogador zagueiro do Atletico Mineiro Galo 
Na foto: Leonardo Leo Silva

FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 07.03.2014
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Esportes - Especial - Belo Horizonte MG Entrevista exclusiva com Leonardo Leo Silva jogador zagueiro do Atletico Mineiro Galo Na foto: Leonardo Leo Silva FOTO: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 07.03.2014

Atlético volta a jogar pela Libertadores nesta quarta-feira, contra o Nacional, em Ciudad del Este, no Paraguai. É impossível não falar de Leonardo Silva quando o assunto é Libertadores. Afinal de contas, o defensor teve tudo para ser campeão pelo rival Cruzeiro, na final de 2009, mas só foi levantar a taça com o Atlético, na grande decisão de 2013.

E o título pelo Galo foi especial. O zagueiro fez aos 41 min e 35 seg da etapa final o gol que manteve o sonho do título vivo, como ele mesmo destaca. Além disso, Leonardo Silva foi o autor do “gol do título”, já que o camisa 3 bateu a penalidade antes de Giménez chutar a bola na trave e definir o fim que todos já conhecem.

E foi nesse clima, vestindo pela primeira vez a camisa que usou na final, que Leonardo Silva, hoje com 34 anos, falou com exclusividade ao O TEMPO sobre 2013, as expectativas para 2014 e o amor pelo Galo.

Como é para o Atlético entrar em campo como atual campeão? É mais difícil?

Sim, já é uma competição muito difícil e entrar como o atual campeão isso torna as coisas mais difíceis ainda, pois todos os times querem bater no atual campeão, querem superá-lo. E as partidas se tornaram mais complicadas, pela qualidade das equipes e pelas circunstâncias que o Atlético entra nesta Libertadores.

Começo com duas vitórias, assim como em 2013. Mais uma vez o primeiro lugar geral é o foco do Galo?

É buscar essa vantagem, ser o primeiro geral. Nós tiramos proveito muito bem dessa regra na Libertadores do ano passado. E mais uma vez a gente está com esse pensamento, de ser o primeiro colocado geral. Ou então ser o primeiro do grupo e classificar muito bem, para ter essa vantagem de poder decidir em casa.

Qual a motivação do elenco? Mudou alguma coisa depois da conquista de 2013?

Não muda nada, nosso objetivo é ser bi da Libertadores. Todo atleta não pode cansar de ser campeão, ele tem que gostar de ser campeão. Nosso pensamento é permanecer ganhando, é permanecer vencendo. Queremos ser campeões do Mineiro, queremos o bi da Libertadores e conquistar tudo aquilo que temos para disputar. Queremos ficar marcados na história do clube com muito mais títulos.

Qual a importância da sua estreia logo contra o Cruzeiro, depois de quase oito meses parado?

Foi uma preparação longo e de muita confiança. Foi uma partida de muita superação. Estava há muito tempo parado. Voltar a jogar no clube rival contra o meu ex-clube, então foi uma partida muito complicada e de muita superação. Eu me preparei muito para aquele clássico, não só por enfrentar o meu ex-clube, mas, também, por querer me apresentar bem no Atlético e estrear vencendo. Me preparei, a recuperação foi muito boa e ajudar o time a vencer aquela partida. Graças a Deus deu tudo certo.

Você rodou por alguns clubes até chegar ao Vitória, em 2008, e fazer um grande Brasileiro. Depois foi contratado por Cruzeiro e se tornou o Leonardo Silva que todos conhecem. O que fez sua carreira ganhar essa projeção naquele momento?

O diferencial é o trabalho, levar tudo a sério. E não desistir, não importa a dificuldade. É sempre superar, fazer o melhor e dar sequência ao trabalho. É ter confiança naquilo que você está fazendo. Eu sempre procurei trabalhar, sempre tive o foco nisso, que eu estava no caminho certo. Tanto é que hoje eu cheguei aonde cheguei por conta do meu trabalho e das pessoas que confiaram no meu trabalho. Em 2008 fiz uma excelente competição numa equipe de médio porte, que é o Vitória, e graça a Deus me levou a um clube grande, que é o Cruzeiro.

No futebol o jogador muito jovem precisa amadurecer e quem passa dos 30 é considerado velho. Mas você vive seu grande momento depois dos 30, você reconhece que seu melhor momento é perto dos 35 anos?

Sim, é uma fase muito boa que atravesso. Mas no futebol é cultura achar que o jogador muito novo não serve e que o jogador muito acima dos 30 está se aposentando, é uma cultura do futebol brasileiro. Acho que o que tem de ser avaliado é a competência do atleta e o trabalho que ele está desenvolvendo no clube. Se for bom, precisar ser respeitado, não importa a idade. Quando era mais e mesmo sem muito destaque, procurava fazer meu trabalho corretamente e acredito que fui bem sucedido. Tanto que hoje eu tiro proveito daquilo que fiz, mesmo mais novo, para chegar hoje, aos 34 anos, e estar em grande nível, desenvolvendo um grande trabalho. É um sim uma das minhas melhores fase, mas por conta de um trabalho contínuo, desde que eu tinha meus 22 anos. Eu pude tirar proveito de tudo isso, para chegar hoje em grande fase e manter por mais anos e quebrar essa cultura do futebol que o jogador, quando chega ou passa dos 35 anos, precisa se aposentar.

E sua recuperação nas jogadas parecem cada vez melhor, a ponto de você parecer mais rápido do que muitos atacantes.

Eu tento tirar proveito da minha altura, da experiência que a gente tem ao logo dos anos com posicionamento, para levar vantagem em alguns lances. A gente procura manter um ritmo bom, para dentro de campo sempre estar bem e fazer um bom trabalho.

Mas perto dos 35 anos a aposentadoria está chegando. Você já planeja algo para depois da carreira?

É até difícil pensar no que fazer depois estando em atividade. Procuro trabalho no dia-a-dia e as coisas vão acontecer naturalmente. Meu planejamento, assim, que eu parar vai ser feito. Sei que o fim vai chegar, mas hoje estou me preparando que aconteça mais longe, para que eu possa jogar por mais algum tempo.

E sua vontade é de encerrar a carreira no Atlético?

É um clube hoje que sou apaixonado, mas não depende apenas de mim. Vou continuar fazendo meu trabalho e deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Para falar em me aposentar no Atlético, tenho que estar bem até esta ocasião. Então, vou procurar trabalhar, para estar bem condicionado, bem fisicamente, bem tecnicamente, bem psicologicamente, que é o mais importante para que possa desenvolver meu trabalho dentro de campo e bem. E o futuro a Deus pertence, vou procurar trabalhar bem no Atlético, que é um clube que eu amo de paixão, para dar mais títulos, para dar retorno ao clube para que o clube também possa me dar um retorno.

Você tem a média de um título por ano no Atlético. Tem como aumentar essa média?

Vamos trabalhar. Ano passado a gente conquistou dois títulos, o Mineiro e a Libertadores. E este ano estamos com o mesmo pensamento, de conquistar o temos para disputar. Nós temos um elenco muito bom, um grupo muito forte, o que possibilidade conquistar esses objetivos todos.

Além dos brasileiros, quais os times estrangeiros mais fortes na Libertadores?

A dificuldade é grande. Tem muitos clubes brasileiros e não sabemos até onde vão chegar. A competitividade é grande. Se a gente pega um clube pequeno, de outros países sul-americanos, se torna uma partida muito difícil, especialmente nas fase finais. Temos que manter o nível, é estar bem fisicamente e taticamente, com a equipe 100%, para não ter dificuldades.

Depois da conquista do ano passado, o time do Atlético está mais forte em 2014?

Acredito que sim, a equipe está muito bem preparada. Todos os jogadores que participaram da conquista passada estão com o pensamento de uma nova conquistar, de continuar fazendo um grande trabalho. E aqueles que chegaram têm a mesma experiência, a mesma vontade, a mesma capacidade de ajudar e compor o nosso pensamento, que é de conquistas.

O que mudou depois do gol na final da Libertadores? Você consegue andar tranquilamente na rua?

Eu consigo andar, mas as pessoas sempre reconhecem e me tratam muito bem. O que mudou foi, na verdade não mudou, apenas aumentou, que foi o carinho de todos os torcedores, o respeito pelo trabalho de todo o grupo durante a competição, já que a gente mudou, de uma certa maneira, a história de um clube. Eu fico muito feliz de ter participado dessa conquista. O carinho e o respeito pelo nosso trabalhou aumentaram demais. Isso é fruto do que nós fizemos dentro de campo, da estrutura do clube, do pensamento da diretoria. É um trabalho em conjunto que fez com que isso mudasse. E agora trabalhamos para que isso permaneça, para fazer história e fazer com que esse carinho nas ruas só aumente.

Você tem participações marcantes em jogos decisivos, foi contra o Fluminense e Olímpia. Você se sente um cara de decisão, um iluminado?

Deus sempre olha para aqueles que trabalham. Não que os outros não trabalhem, mas eu sempre procurei ter a minha fé e acreditar no meu trabalho. Para ser iluminado você tem de estar preparado. E eu estava preparado para desenvolver meu trabalho. Quando a oportunidade apareceu, eu estava pronto para dar o meu retorno. Mas não é sozinho, é todo um contexto que me permitiu fazer os gols importantes e desenvolver o meu trabalho.

Na final diante do Olímpia, quanto tempo demorou do momento que você cabeceou a bola e ela entrou?

Foi uma sensação eterna, pois a bola demorou tanto para sacudir a rede. Era aquela apreensão de saber se a bola ia entrar ou não ia entrar. Mas quando entrou, foi uma explosão de emoção de todos dentro daquele estádio. Foi um gol que manteve o nosso sonho vivo. E graças a Deus ele foi realizado no final. Foi um gol maravilhoso.

Você tem o costume de ver o seu gol ou se já viu a final inteira?

Assisto sempre que posso, vou lá no Youtube e fico vendo. Infelizmente não tenho a partida inteira, mas ainda terei. Mas os lances da partida eu sempre vejo, afinal de contas foi muito emocionante, marcante, que nos fez entrar para a história de um clube. Não tem como esquecer e sempre que posso ver, eu assisto, para que esteja sempre no sangue, para a gente arrepiar como faz o torcedor do Atlético.

Antes do gol, você caiu dentro da área. Foi pênalti ou foi uma cavada que não funcionou?

Eu tentei dar uma forçada ali. Mas o árbitro fez um sinal para levantar e disse que não foi nada. E quando a bola passou e olhei para o juiz e também vi o Bernard. Então eu me levantei e consegui fazer esse gol que é marcante.

O Bernard cruzou para o gol e contra o Newell`s ele foi te abraçar quando fez o gol. Como era a parceria com ele?

O Bernard é um menino muito bom. Ele tinha uma química muito boa com todos e um respeito muito grande pelos mais velhos, os mais experientes. A gente tinha uma aproximação legal. E ele representou muito nessa conquista do Atlético, na evolução do time. É um menino também está marcado na história do Atlético e que está seguindo a vida, mas não esquece nunca do que deixou para trás.

Em 71 o gol do título foi de cabeça. Ano passado o segundo gol também foi de cabeça. Você parou no ar como fez o Dadá?

Eu também precisei parar no ar, pedi autorização ao Dadá para fazer o mesmo que ele. Graças a Deus pude usar essa minha qualidade que é o cabeceio. Tive que me esforçar bastante nesse gol para cabecear a bola, já que ela veio muito alta. É a história mais uma vez se repetindo. Tudo o que acontece no Atlético sempre tem um motivo.

Se for assim, o Léo Silva é cotado mais um gol histórico de chegar na final?

Nós vamos trabalhar para chegar. É trabalha jogo a jogo. É classificar em primeiro do grupo e quem sabe primeiro geral, que é o nosso objetivo. E quem sabe marcar nossa história mais uma vez com o bi da Libertadores.

E como foi a caminhada da marca do meio de campo até a marca do pênalti na decisão contra o Olímpia?

A cabeça tem de estar bem, estar com o psicológico muito forte. Mas é uma caminhada longa. Você vai pensando naquilo que tem de fazer, uma cobrança perfeita. É uma responsabilidade muito grande. Eu estava atravessando um momento muito bom no jogo e toda a equipe estava muito fortalecida por ter revertido o placar. Todos ali estavam com a mente forte, o que fez a gente executar o trabalho com as cobranças perfeitas. Na outra decisão a gente oscilou um pouco, mas nessa final estavam todos bem para cobrar as penalidades.

Quando você decidiu bater no canto direito do goleiro?

Eu tinha treinado, nós treinamos muito anteriormente. E a maioria dos pênaltis que bati foi no canto direito do goleiro. Fui já com esse pensamento, de fazer o que estava fazendo no treino. Dependendo das circunstâncias, eu até mudaria. Mas procurei fazer minha batida de confiança, para executar no jogo. E o goleiro também não me conhecia batendo pênalti, não ficou mais fácil, mas ele não conseguiu me surpreender.

O Ronaldinho já declarou que bateria de cavadinha. Ele chegou a falar com você sobre isso?

Nos treinamentos ele sempre bate de cavadinha. Ele bate da maneia que costuma fazer nos jogos, mas também treina cavadinha. Se eu não me engano ele comentou com o Pierre que bateria de cavadinha. E com a personalidade que ele tem, provavelmente ele bateria de cavadinha mesmo. Mas só acontecendo para a gente ver o resultado, mas acredito que ele bateria de cavadinha mesmo.

Com a lesão do Réver você se tornou o capitão. No Mineiro você pode levantar a taça. Isso é especial?

Para mim não faz diferença, pois sendo capitão ou não, eu vou levantar a taça da mesma maneira, vou ser campeão do mesmo jeito. Eu não tenho essa vaidade, esse desejo de me tornar capitão e levantar a taça. Trabalho para as coisas acontecerem naturalmente. Infelizmente sou capitão por conta da lesão do Réver, que é um líder da nossa equipe, o principal capitão. Eu vou desempenhar meu trabalho.

Quem são os líderes do elenco do Atlético?

Temos vários líderes, um grupo não se faz apenas de um líder. Temos pessoas qualificadas e preparadas. São vários jogadores experientes, tem o Jô, o Tardelli, o Pierre, o Josué, o Leandro Donizete. Enfim, é um conjunto de atletas com personalidades fortes e boas, que fazem o clube caminhar sempre numa direção boa. É importante ter pessoas com esse perfil, para a gente traçar sempre o caminho certo.

Qual foi a pior derrota: a final da Libertadores com o Cruzeiro ou para o Raja, no Mundial?

Para o Raja. Foi mais dolorido, por tudo aquilo que a gente vinha fazendo. A gente não esperava sofrer a derrota como ela foi. Fomos com o pensamento de vencer, mas ela não aconteceu como a gente queria. Foi uma lição para todos, é trabalhar mais e mais, para voltar ao Marrocos e fazer diferente. Então foi mais dolorida, por tudo o que fizemos e por tudo o que a torcida esperava.

Na Libertadores você teve uma segunda chance. Espera essa oportunidade na Copa do Mundo de Clubes da Fifa?

A gente espera, vamos trabalhar para isso. Não vai ser fácil, essa Libertadores vai ser muito mais difícil, por tudo aquilo que temos que enfrentar. As equipes adversárias estão evoluindo, conhecem melhor o Atlético, já sabem como a gente joga. Então é trabalhar chegar. É ir jogo por jogo, fase por fase, colocar o mesmo espírito da competição passada, para nos tornarmos um time ainda mais forte e aguerrido, para quem sabe, no final, nos tornarmos campeões novamente.