A pintura como sopro de vida

Após dez anos longe das galerias da capital, Saul Vilela reúne o que de melhor produziu em sua carreira de 40 anos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Expressionista. Artista se notabiliza por seu traços fortes e sua capacidade de transformar painéis brancos em explosões de vida
Reprodução
Expressionista. Artista se notabiliza por seu traços fortes e sua capacidade de transformar painéis brancos em explosões de vida

Estar entre a vida e a morte costuma ser matéria prolífica para a produção de grandes obras de arte. Enfermidades do corpo ou da alma motivam artistas que veem na sua produção uma saída para sair do “buraco” ou da chamada “fossa”. A exposição “I’m Ok!”, de Saul Vilela, que será aberta hoje no Museu Inimá de Paula, parte justamente de uma situação limite vivida pelo artista plástico.

“Eu tinha uma namorada croata e nossa comunicação era em inglês. Eu não estava muito bem de saúde e ela me perguntava como eu estava. Dai, eu respondia ‘I’m Ok’ (estou bem). Uma noite, eu estava em um restaurante com uns amigos e nós discutíamos o nome dessa exposição. Eu fui ao banheiro e depois de alguns minutos minha namorada me encontrou desmaiado lá e, mais uma vez, ela me perguntou como eu estava. Quando eu lhe disse ‘I’m Ok!’ novamente ela falou que aquele seria o nome da exposição, porque eu não estava nada Ok”, lembra Vilela.

Ao chegar ao hospital, o artista descobriu que precisaria fazer três pontes de safena. “Eu estava entre a vida e a morte, tinha 95% de chance de morrer e precisava ser operado imediatamente”, diz ele.

A enfermidade fez com que o artista mudasse sua relação com a vida e com sua obra. “Depois que tirei o pé do caixão, comecei a descartar as coisas provisórias e me concentrei nas certezas. Comecei a expor trabalhos que eu guardava para mim, porque eram meus favoritos. Quando percebemos que somos provisórios, que nosso tempo por aqui não é muito grande, tudo muda de sentido”, ressalta. Para além disso, as pontes de safena deixaram Vilela mais confiante. “Agora meu traço é muito seguro, não tenho as dúvidas que tinha no passado, jogo a tinta com convicção na tela”, destaca o artista.

A exposição “I’m Ok!” é composta por 21 quadros da produção atual de Vilela, e também o que ele considera ser seus melhores quadros. Na estrada de mais de 40 anos dedicados às artes plásticas, ele ressalta sua capacidade de sempre buscar algo novo ao começar um quadro. “Já ouvi que minha principal característica é esse ecletismo. Pode parecer, para alguns, que se trata de uma exposição de mais artistas, mas todos quadros são realmente meus. Acredito que haja uma clareza nos meus traços e na escolha das cores que formem uma identidade, mas não consigo escolher um único caminho e seguir por ele sempre”, garante o pintor.

mercado. Mesmo sem expor em Belo Horizonte há cerca de dez anos, Saul Vilella acredita que haja um bom mercado para artistas na cidade. “Não posso falar por todos, mas tenho vendido minhas obras. A maior parte de meus quadros é vendida na Europa. Lá fora nosso trabalho é muito barato. Vendi 18 quadros em Londres, 12 em Veneza e cinco em Atenas”, revela.

Hoje artista consagrado e premiado em diversos países no mundo, Vilela demorou quase 20 anos para expor suas obras pela primeira vez. No entanto, o também arquiteto há 20 anos vive exclusivamente de sua carreira de artista e prefere expor suas obras em seu apartamento, no bairro de Lourdes. “Com a percentagem cobrada pelas galerias, as obras ficam muito caras. Então, eu abro minha casa e recebo gente que eu nunca vi na vida de pijama. E eles deixam um cheque comigo”, se diverte ele, que não expõe em galerias, mas aceitou o convite para expor no Museu Inimá de Paula.

O quê.Exposição “I’m Ok!” de Saul Vilela

Quando. De hoje a 13 de abril

Onde. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1.201, centro)

Quanto. Entrada franca

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