Cenários da arte mineira

“Minas Território da Arte” apresenta um panorama artístico do Estado em exposição que abre ao público amanhã

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Coletiva. Em destaque, à esquerda,escultura de Paulo Lender, ao lado de pinturas de artistas mineiros representativos de diferentes épocas e estilos
LEO FONTES / O TEMPO
Coletiva. Em destaque, à esquerda,escultura de Paulo Lender, ao lado de pinturas de artistas mineiros representativos de diferentes épocas e estilos

Um levantamento ainda inédito no cenário das artes plásticas do país está prestes a ser concluído com a publicação de cinco volumes que deverá acolher os artistas mineiros nascidos a partir do século XX. Como uma prévia do que virá a público, a exposição “Minas Território da Arte”, em cartaz na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e com abertura hoje para convidados e amanhã para o público, apresenta cem obras de 64 nomes selecionados.

O curador Fernando Pedro, diretor da C/Arte Projetos Culturais, realizadora do programa que batiza essa mostra, conta ser esse um dos primeiros frutos do empreendimento após três anos de pesquisas. Criada em 2010, a iniciativa, de acordo com ele, conta com uma equipe de estudiosos oriundos da UFMG, entre outras universidades federais, como as de Juiz de Fora, Uberlândia e do Vale do Jequitinhonha e Mucuri. Todos eles auxiliaram no processo de curadoria da coletiva que é promovida pela Secretaria de Estado da Cultura, junto com a Fundação Clóvis Salgado.

“Esse é um trabalho que nenhum outro Estado, além de Minas Gerais, já deu conta de fazer. Por se tratar de um período longo, abarcando o século XX até o presente, essa é uma pesquisa de fôlego. O resultado final será uma obra de cerca de mil páginas que, divididas em cinco exemplares, vai apresentar o nosso rico e diverso panorama artístico”, ressalta Fernando Pedro.

A escolha dos artistas ali representados, o curador afirma ter sido norteada pela intenção de frisar o que se tem de relevante e expressivo no Estado. No entanto, ele pondera que de forma alguma os 64 contemplados visam abarcar toda a grande diversidade encontrada aqui. “Eu entendo essa como uma primeira seleção e, portanto, uma espécie de pincelada do que Minas Gerais tem de bom nesse campo. Para de fato fazer jus à nossa produção artística seria necessário todo os espaços expositivos do Palácio das Artes, do Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, do Museu Mineiro e ainda do Museu de Arte da Pampulha”, observa ele. “Mas mesmo aquele que não estiver presente na exposição terá seu nome nas publicações desse projeto que pretendemos concluir até julho”, garante.

Eliane Parreiras, secretária de Estado da Cultura, também reconhece o mesmo desafio. “Embora 64 artistas seja um número grande para uma exposição, ao mesmo tempo esse conjunto é algo muito pequeno perto da grandeza artística que Minas tem. Por isso entendemos a exibição como uma etapa desse processo. É uma forma de compartilhar com a sociedade alguns resultados dessa tarefa que inclui pesquisa, mapeamento, identificação e registro dessa memória das artes visuais”, observa.

Nomes. Figuram, assim, lado a lado na galeria, obras de artistas consagrados como Amilcar de Castro (1920-2002), Sara Ávila (1932-2013), G.T.O. (1913- 2013), Carlos Bracher, entre outros contemporâneos, a exemplo de Marilá Dardot, Fernando Lucchesi, além de alguns estreantes.

“A mostra acolhe representantes de cada região do Estado e vários expõem criações que serão vistas no Palácio das Artes pela primeira vez. José Vilmar, por exemplo, de Patos de Minas, é um deles. Hélio Siqueira, de Uberaba, também faz sua estreia. Como eles, se somam ainda Paulo Miranda e César Brandão”, pontua Fernando Pedro.

Para o curador, uma questão central da exposição é justamente a possibilidade que se abre àqueles com trajetória ainda menos conhecida “Esta é sem dúvida uma ótima oportunidade para os artistas e para nós mesmos. É uma maneira de descobrirmos e termos mais contato com os trabalhos que dificilmente chegam até a nossa cidade”, reforça.

“Promover essa visibilidade foi algo que motivou a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Clóvis Salgado a se associarem a C/Arte para viabilizar essa mostra. Nós acreditamos nessa proposta que conta com um núcleo de profissionais muito qualificados, e o tempo todo conversamos sobre o procedimento para que ao fim não nos limitássemos a apenas um cenário de Minas Gerais”, completa Eliane Parreiras.

Agenda

O quê. Abertura da exposição “Minas Território da Arte”

Quando. Hoje para convidados e amanhã para o público, até 4/5; de 3ª a sáb., das 9h às 21h; dom., das 16h às 21h

Onde. Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes ( av. Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entrada franca

 

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