Primeiro dia útil tem veículos lotados e congestionamento

Reportagem testou o BRT em dez viagens nas três novas linhas do sistema; foram realizadas 124 viagens e BHTrans não divulgou o balanço de passageiros

iG Minas Gerais |

MOVE FIM DE TARDE FOTO JOAO GODINHO
JOÃO GODINHO
MOVE FIM DE TARDE FOTO JOAO GODINHO

Muitos ônibus articulados do Move (nome dado ao BRT) circularam lotados nesta segunda-feira (10), primeiro dia útil de funcionamento do novo sistema de transporte da capital. Apesar de os passageiros ainda poderem usar o metrô e as linhas convencionais, vários optaram pelo Move, em período de experimentação. Em meio a elogios a um serviço considerado diferenciado, reclamações e dúvidas dos usuários feitas no último sábado (8) – estreia do BRT – se repetiram nesta segunda.

Para verificar o serviço, a reportagem fez dez viagens nas três novas linhas do sistema. O ônibus que vai da Estação São Gabriel ao centro, sem parar, saía com vários passageiros em pé e nas portas. “A maioria das viagens que eu fiz foi cheia, mas ficar só 20 minutos em um ônibus lotado, com ar-condicionado, é melhor que permanecer duas horas no outro (convencional), quente”, ponderou João Raulino, 52, motorista do Move. “Mesmo cheio, se for só 20 minutos, está bom”, disse o técnico de manutenção Aurélio Garcia, 42.

Na parte da manhã, houve um longo congestionamento na avenida Cristiano Machado, que afetou os passageiros do Move quando os veículos deixavam as pistas exclusivas e iam para as comuns, dividindo com outros ônibus, carros e motocicletas.

A volta para casa, no fim da tarde e início da noite, teve ônibus ainda mais cheios. Muita gente que foi trabalhar por outros meios voltou para casa de Move, que atrai cada vez mais usuários. “Vim trabalhar de ônibus normal e vou voltar de Move, apesar de já estar cheio”, disse a técnica em segurança do trabalho Mileide Oliveira, 27.

Nesta segunda-feira, foram realizadas 124 viagens. A BHTrans não divulgou um balanço de passageiros.

Ampliação sem data

Gerente de operação do Move, Artur José Abreu afirmou que ainda não está previsto aumentar o número de ônibus para atender a demanda – apenas 18 dos 470 ônibus prometidos para compor o sistema estão circulando nessa primeira fase. “Como os horários estão sendo cumpridos, não planejamos alterações neste primeiro momento”.

A estratégia de substituir as linhas convencionais pelo Move somente nas próximas semanas está correta, segundo o engenheiro Márcio José Aguiar, especialista em trânsito. “O jeito agora é esperar o projeto ser todo implantado. Sem retirar as outras linhas do centro da cidade, a utilização de mais ônibus do Move só irá piorar o trânsito”.

Principais falhas

A falta de informação e os equipamentos sem funcionar nas estações causaram confusão em mais um dia de funcionamento do sistema. Faltavam informações sobre horários de ônibus em alguns painéis. A doméstica Maria Rubio, 46, teve que pagar uma passagem a mais porque o motorista do ônibus parou fora da Estação São Gabriel. “Como o trânsito estava parado, ele não quis entrar na estação, e a gente não sabia que teria que passar por catracas”.

Outro problema foi o acúmulo de ônibus na estação. Quando os veículos chegavam para desembarcar passageiros, usuários entravam no coletivo, impedindo que o ônibus fosse à área de estacionamento aguardar a próxima partida. “Ninguém fala nada, e ficamos aqui sentados igual bobo”, disse a vendedora Clara Moreira, 36.

Para o gerente do Move, os primeiros dias são de aprimoramento. “Sem dúvidas, hoje (ontem) é o grande teste. Estamos resolvendo a questão da informação, que deixou um pouco a desejar”, admitiu. (Com Natália Oliveira)

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