Salários se tornaram defasados

Ganhando menos e morando longe da cidade natal, anistiados enfrentam muitas dificuldades

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Abandono. “Nunca imaginei que teria que ficar a 112 km da minha cidade, deixar minha mulher sozinha, para me enfiar num quarto. Não temos ajuda. Estamos abandonados.” - Onofre Lelis, 62, Motorista Demitido em 91
fotos uarlen valério
Abandono. “Nunca imaginei que teria que ficar a 112 km da minha cidade, deixar minha mulher sozinha, para me enfiar num quarto. Não temos ajuda. Estamos abandonados.” - Onofre Lelis, 62, Motorista Demitido em 91

Entre a demissão e a reintegração dos dispensados da Vale, em 1991, foram 17 anos. Tempo suficiente para virar a vida de Luiz Oliveira de Souza, 56, de cabeça para baixo. “Meu padrão de vida despencou. Tinha plano de saúde e plano de carreira. Eu era mecânico encarregado na época e, se tivesse continuado, teria muitos outros benefícios porque, naquela época, tínhamos progressão de carreira. Era como se eu ganhasse R$ 6.000. Hoje, ganho R$ 2.500, sem progressão”, relata Souza.

Entre a demissão e a reintegração, Luiz foi trabalhar em uma empreiteira, para manter os filhos. Sempre continuou lutando pelo direito da reintegração, que veio em 2011. O que era para ser esperança, virou decepção. “Saiu a portaria falando da reintegração e a gente tinha 30 dias para aceitar. Achei que seria excelente e que teria os mesmos direitos de um servidor público, mas fomos para o DNPM, que nos emprestou ao Cefet, sem ganhar igual a nenhum dos dois”, conta.

Onofre Lelis Ferreira, 62, era motorista na Vale e foi mandado embora em 1991. Hoje, é técnico administrativo. “É muito difícil, tem dia que não temos dinheiro nem para ir a Itabira. Outro dia eu fui e, para voltar, minha mulher teve que pedir emprestado a uma vizinha”, lamenta Onofre. “Deixo minha mulher sozinha, deixo minha casa em Itabira, para largar o serviço e me enfiar num quarto. Falta até para comida. E tem muita gente anistiada passando até fome”, conta Onofre.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) foi procurado para esclarecer os valores dos salários concedidos aos anistiados, explicar as diferenças dos benefícios entre os reintegrados e os servidores do departamento, mas não retornou às ligações e aos e-mails da reportagem.

O Ministério do Planejamento, responsável pela avaliação dos processos dos anistiados e da reinserção deles no quadro dos servidores, explicou que eles realmente só podem ser reintegrados sob o regime celetista e que a remuneração é calculada com base dos salários antigos, fornecidos pela empresa onde trabalhavam na época. Caso a empresa tenha sido extinta, o governo usa uma tabela fixa para calcular os salários.

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