Moda dos aparelhos falsos oferece grande risco à saúde bucal

Intoxicação por cola inadequada e perda do dente estão entre os problemas

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Febre. Modelos de aparelhos são os mais variados e atraem os adolescentes
Reprodução/Facebook
Febre. Modelos de aparelhos são os mais variados e atraem os adolescentes

Uma nova moda que já pegou em São Paulo e começa a chegar a Belo Horizonte está preocupando dentistas e ortodontistas: são aparelhos “diferenciados” – ou mesmo falsos. Eles são vendidos em lojas e até em camelôs, não são colocados por profissionais qualificados e podem causar sérios danos à saúde de uma forma geral e, especificamente, da boca.

Dentre inúmeros perigos, os maiores são o risco de morte – causado pela cola, tóxica ao organismo, usada para fixar os aparelhos – e a perda dos dentes. “Se você força o dente em uma direção, o osso vai se desintegrando. Quando a movimentação é parte de um tratamento, essa desintegração é controlada e do outro lado se forma um novo osso para compensar o deslocamento”, explica o presidente do Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais (CRO-MG), Luciano Eloi Santos.

O especialista destaca o risco da cola usada para a fixação das peças. “Eles (que colocam o aparelho) estão usando colas extremamente tóxicas que podem causar intoxicação e comprometer o esmalte do dente, aumentando o risco de cáries”, afirma Santos.

Os aparelhos falsos, segundo ele, podem mover os dentes de forma muito brusca, não dando tempo para o corpo formar um novo osso para sustentar esse dente, e isso pode levar à perda do mesmo.

Quem não chegar ao extremo de precisar extrair um dente pode ter alterações na oclusão dental – “fechamento” da boca – e na mastigação. Mais do que a estética, esses aparelhos podem afetar a respiração, a fala e até causar dores de cabeça e nas costas.

A nova moda pode comprometer ainda a higiene bucal, já que os aparelhos tendem a acumular mais placa bacteriana. A consequência disso é o desenvolvimento de uma inflamação na gengiva, evoluindo para a periodontite, que afeta gengiva e osso – outra possível causa para a perda dos dentes.

Denúncia. O CRO-MG já recebeu relatos de dentistas mineiros contra o jovem Douglas H. Silva, que estaria comercializando borrachinhas para aparelho e colocando, ele mesmo, os produtos nos clientes.

Procurado pela reportagem de O TEMPO por telefone, ele desmentiu as acusações. “Não é que eu vendo. Eu comprei para mim e agora todo mundo está querendo”, explicou. Ele preferiu não continuar a conversa pelo telefone, mas abriu a possibilidade de contato pela internet. “Mas me adiciona no Facebook que lá a gente conversa melhor”. Procurado na rede social, ele não retornou o contato da reportagem.

Segundo o departamento jurídico do Conselho, o nome de Silva não consta nos registros em nenhuma das categorias regulamentadas pelo órgão. “Para colocar aparelho, a pessoa tem que ser dentista. Já para trocar as borrachinhas, ela poderia ser técnica em saúde bucal, mas ele não é nem isso”, informou uma das funcionárias.

O Conselho pretende enviar ofícios para o Ministério Público de Minas Gerais, para as polícias Militar e Civil e a Vigilância Sanitária..

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