Transporte de massa

iG Minas Gerais |

A entrada em operação no último fim de semana do tão esperado BRT, que a BHTrans elegeu como solução capaz de aliviar as pressões dos usuários por um transporte de massa mais seguro, eficiente e humano, parece que deu certo, a despeito das críticas motivadas especialmente pelo atraso das obras de construção das estações de passageiros e alguns outros detalhes, ao que se parece, de rápida reparação. Cidade penalizada por um crescimento desordenado, por práticas de ocupação de solo classificáveis, muitas delas, como criminosas, Belo Horizonte exclui liminarmente alternativas que em outras cidades seriam bem vindas e de fácil absorção. Temos um relevo complicado, uma dependência insuperável de se cruzar o centro da cidade na comunicação de suas regiões, uma grande concentração de atividades no mesmo centro da cidade e uma demora justificada apenas pelo interesse de grupos para se comporem políticas públicas capazes de orientar a normatização de serviços, de concessões públicas e regular a presença eficaz da municipalidade na contratação, na prestação e fiscalização das obrigações geradas pelas relações políticas com seus cidadãos. O traçado de BH, sempre disseram os críticos especializados, não fora concebido para servir a capital que aqui se instalou. Nasceram daí, desse descompasso, medidas paliativas que se produziram equacionando o tecnicamente possível com os recursos de caixa da prefeitura, obrigada muitas vezes a gerar soluções para vários municípios vizinhos. Chegamos a um momento em que BH não é apenas aquela definida nos seus limites geográficos, mas uma região, para onde convergem diariamente milhares de pessoas, para exercerem trabalho, para receber serviços dos mais diversos (como de pronto-socorro por exemplo – a grande BH depende do João XXIII para tratamento de traumas), para estudar, comprar e vender. Ao que se espera, o tal BRT, circulando grande parte de sua operação em vias exclusivas, poderá ser uma alternativa para os próximos anos, já que a implantação de linhas de metrô ainda se coloque como sonho distante. Como tudo no Brasil que passe pelo poder público tem grandes problemas e esse 2014 tem uma agenda complicada para recepcioná-los, nesse mesmo tema do transporte de massa já podemos contar com a majoração do preço das passagens. As manifestações de junho em SP e que depois eclodiram em todo país foram motivadas pelo aumento de R$ 0,20 no preço das passagens de ônibus. Foram e voltaram, fazendo com que as prefeituras tivessem que compensar a majoração reivindicada pelas empresas concessionárias com recursos adicionados ao caixa das mesmas. A corda está para arrebentar novamente. A população usuária de transporte público quer serviços eficientes, veículos novos, modernos e preços baixos porque assim entende ser seu direito cidadão. As empresas concessionárias querem demonstrar que não têm caixa para seguir prestando serviços aos preços que recebem. O transporte de passageiros, ao que se percebe pelo balanço das empresas, é péssimo negócio. E as prefeituras alegam não terem recursos para subsidiar tal prestação de serviços, caso seja chamada para atuar. O que esperarmos, dessa agenda tão conflitada?

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