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iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Reencontro. Tommy Lakson, guitarrista sueco, retoma parceria com Korman hoje
rauno still/divulgação
Reencontro. Tommy Lakson, guitarrista sueco, retoma parceria com Korman hoje

Quando nasceu nos subúrbios de Nova Orleans no início do século XX, talvez poucos poderiam prever que o jazz se transformaria num gênero reconhecido mundialmente com sua variedade de subgêneros. Pois é justamente essa difusão global do estilo que unirá o pianista norte-americano Cliff Korman e o guitarrista sueco Tommy Lakso em apresentação esta noite, no Centro Cultural da UFMG. “O jazz é uma linguagem universal, ainda que nosso concerto tenha muito improviso (principal diferencial desse gênero musical em comparação a outros), nós temos uma certa base que nos deixa bastante seguros. Da primeira vez que tocamos juntos, demoramos apenas dois dias de ensaios para nos entendermos”, destaca Korman. Lakso e Korman já se apresentaram juntos por conta de um intercâmbio entre as universidades onde lecionam. “Reencontrar o Lakso será muito bom, é uma boa oportunidade para ver o tanto que o colega cresceu em seu trabalho”, ressalta. O encontro dos dois músicos faz parte do projeto Prata da Casa, da UFMG, que tem como objetivo divulgar e valorizar o ofício de músico. São apresentações de diversos instrumentistas, em variados estilos e gêneros musicais, em sessões que acontecem semanalmente com entrada gratuita, abertas a grupos de pessoas ou interessados em geral. A série é coordenada pela professora Guida Borghoff, da Escola de Música da UFMG. No repertório desta segunda, standards do jazz norte-americano e também música brasileira. “A música de brasileiros como Tom Jobim, por exemplo, extrapola as fronteiras, é reconhecida mundialmente”, afirma Korman. Assim sendo, o sueco Lakso, reconhecido por sua velocidade técnica, seus solos rítmicos e seu uso de variadas harmonias e escalas no beebop e jazz moderno atual, não deverá ter problemas com as músicas nacionais. Estudioso dos ritmos brasileiros e professor de música popular na Escola de Música da UFMG, Cliff Korman destaca a originalidade dos músicos daqui: “O Brasil tem essa coisa de internalizar o que vem de fora sem copiar. Uma capacidade de compor e fazer outras coisas próprias a partir daquilo”. O músico destaca a vocação jazzística muito forte em Belo Horizonte, desde os idos do Clube da Esquina, mas vê com bons olhos a produção de uma nova geração de músicos da cidade. “Depois de muito tempo de busca, de como encarar um novo século, precisávamos de uma mudança de geração. É uma época muito fértil e criativa, o pessoal está realizando uma nova abordagem. Vejo a geração de pessoas de 30 anos de idade muito antenadas nas novidades mundiais, bebendo do passado – claro, mas com uma visão muito contemporânea de música”, analisa. O caso de amor do nova-iorquino Korman por Belo Horizonte é antigo. Desde o início dos 1990, ele vinha à cidade para frequentar e tocar no bar “Aqui Ó”, de Toninha Horta. Aqui, ele fez amizades e parcerias que renderam novos trabalhos. “Fiz vários vínculos com músicos da geração de Toninho. Fiquei amigo do Juarez Moreira e do Mauro Rodrigues. Quando eu já pensava em vir morar em Belo Horizonte, apareceu essa vaga na UFMG para professor. Eu fiz o concurso e passei. Deu certo!”, relembra ele. Já faz quatro anos da vinda definitiva dele. Ao comparar a nova casa com a antiga, uma das metrópoles mais agitadas e visitadas do mundo, Korman se diverte: “Eu sou essencialmente urbano. Gosto de uma vida bastante agitada. Claro, não é possível comparar as duas cidades, mas Belo Horizonte tem muitos lugares que eu gosto muito”, ressalta ele. Agenda O quê.Prata da Casa com o pianista Cliff Korman e o guitarrista Thomas Lakso. Quando. esta segunda, às 15H Onde. Centro Cultural da UFMG (avenida Santos Dumont, 174, centro) Quanto. Gratuito

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