Grupo pretende expandir trabalho para a periferia

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Patrulha da Alegria nas ruas de comunidade carente no Peru
Lipe Borges
Patrulha da Alegria nas ruas de comunidade carente no Peru

Outro grupo de palhaços de hospital em Minas Gerais que, assim como os do Instituto HaHaHa, quer expandir a área de atuação é o Patrulha da Alegria. Criado em 2005, em Sete Lagoas, a trupe vem trabalhando de forma voluntária e assídua em centros médicos da região, desde seu surgimento.

Por trás da criação, nada de empresas ou instituições governamentais, mas sim vontade de ajudar e um filme. “Estava assistindo ao filme do ‘Patch Adams - O Amor é Contagioso’ com minha irmã e decidimos montar um grupo para ajudar na recuperação de enfermos. Pensamos nos Doutores da Alegria, mas, infelizmente, na época, eles não trabalhavam com a formação de profissionais. Assim, contratamos Ana Elvira, uma atriz especializada de Campinas. Com ela fizemos cursos de teatro e de música”, comenta a fundadora do grupo, Andréa Godinho.

Depois disso, o Patrulha da Alegria procurou parcerias dentro da cidade e hospitais para apresentação. E, surpreendentemente, logo no início chegaram a 20 integrantes. “Fiquei muito surpresa com a quantidade de voluntários que se apresentaram para fazer o curso. Agora, o número vai variando porque alguns passam a não poder por outros compromissos”, comenta Andrea, que mostra-se feliz com os 14 voluntários que o grupo tem no momento.

Com apresentações regulares, o Patrulha quer alçar novos voos. A ideia é sair das paredes do hospital e trabalhar com comunidades carentes no entorno da cidade sede. Para tirar a ideia do papel, eles começaram com uma pesquisa “in loco” do projeto social Belén, realizado no Peru.

Assim, depois de conseguirem financiamento de passagens por meio de edital do Ministério da Cultura, Andrea partiu com outros quatro artistas do grupo e um fotógrafo para o Festival de Belén, que reuniu 125 palhaços de diversos locais do mundo. O local escolhido foi uma comunidade muito pobre, “de dar dó mesmo”, como descreve Andrea. Foram dez dias que o grupo passou lá, compartilhando experiências e atuando junto com os profissionais locais no projeto de cuidado à população.

“Nós realizamos quatro oficinas e apresentamos um espetáculo nosso sobre a relação do médico com o paciente. Também havia dentistas e médicos que prestaram serviço na área da saúde”, conta Andréa.

REALIZAÇÃO. Além do aprendizado, Andréa teve a oportunidade de conhecer o médico que deu origem à sua vontade de montar o grupo. Patch Adams estava no encontro junto com Wendy Ramos, parceira do médico e com quem a mineira trocava correspondência desde 2006. O encontro tornou a viagem pessoalmente especial para a artista sete-lagoana. “Foi muito emocionante conhecê-lo. Teve um momento em que fiquei até beliscando o médico para ver se ele era real. Daí ele disse: ‘sou de verdade’”, conta.

Mesmo com várias pessoas querendo falar com Adams, Andréa conseguiu explicar que pretendia fazer o mesmo projeto no Brasil. Para surpresa dela, o médico disse: “Pode contar comigo para a inauguração se conseguirem fazer o projeto”, disse o médico a Andréa.

Animada com a perspectiva, ela sabe que tem muito trabalho pela frente. Mas sente que o pontapé inicial para seu novo sonho foi dado. “Agora precisamos de se sentar e arrumar um parceiro para esta nova etapa”, conta ela, que não pôde se dedicar ao novo projeto, por estar envolvida na produção e realização da exposição “Patrulha da Alegria no Peru, um Intercâmbio de Olhares”. A mostra ocupa a Casa da Cultura de Sete Lagoas até o dia 27 de março.

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