Move terá ‘teste de fogo’ no primeiro dia útil de circulação

Cerca de 30 mil usuários são esperados nesta segunda-feira (10) no sistema que ainda possuiu falhas operacionais; quem passou pelas estações neste domingo (9) teve que enfrentar filas e a falta de informação

iG Minas Gerais | Jhonny Cazetta/Pedro Vaz Perez |

Cidades - Belo Horizonte - MG
Preparativos para o primeiro dia util do move . 

FOTO: FERNANDA CARVALHO / O TEMPO - 09.03.2014
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte - MG Preparativos para o primeiro dia util do move . FOTO: FERNANDA CARVALHO / O TEMPO - 09.03.2014

Agora é pra valer. Após dois primeiros dias de funcionamento, que serviram para ajustes, o Move deverá enfrentar nesta segunda-feira (10), em seu primeiro dia útil, o real teste para saber a melhoria no transporte público da capital. E, pelo o que foi visto neste domingo (9), os 30 mil usuários esperados devem enfrentar problemas. Apesar da promessa do presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Ramon Victor Cesar, de que as falhas dos primeiros dias seriam resolvidas, muitas coisas ainda não funcionaram de maneira correta.

Neste domingo, como estava previsto, apenas uma das três linhas em operação na primeira fase, a 83 P, circulou. Mas problemas já identificados nesse sábado (8) se repetiram, como catracas com defeito, demora e ineficiência nas bilheterias e monitores de informação desligados. Na Estação São Gabriel, por exemplo, apenas uma das roletas operou, o que causou filas grandes em pleno domingo. “Imagina isso amanhã (hoje). Algo tão novo assim não pode estragar desse jeito”, contou a vendedora Carla Oliveira, 43, que levou quase dez minutos só para conseguir passar pelas roletas.

As bilheterias, que no primeiro dia não funcionavam em algumas estações, tiveram os problemas referentes à venda dos cartões normalizados. No entanto, os poucos atendentes em algumas estações não eram suficientes para a demanda de passageiros. “Além de poucos funcionários, a hora do troco está sendo complicada. Parece até que não foram treinados para isso”, reclamou o assistente técnico Carlos Assis, 36.

Já a falta de informação continua sendo um dos pontos mais críticos do Move. Muitos passageiros ainda ficaram perdidos sobre onde embarcavam e os pontos de paradas. Nenhum dos monitores de TV dos ônibus ou das estações, que deveriam informar detalhes como esses para os passageiros, funcionavam na tarde deste domingo.

Alinhamento

Novos problemas foram encontrados, como erros de alinhamento dos ônibus. Segundo o motorista Vanderlei Rodrigues, alguns veículos, como o que ele dirigia ontem, apresentam problemas nas articulações. Na prática, isso faz com que a distância entre a plataforma e o veículo seja diferente nas duas partes do ônibus. Mesmo que o motorista faça a parada rente à estação na parte dianteira, a parte traseira apresenta distâncias para a estação consideradas perigosas por alguns passageiros. “Este vão pode ser perigoso para crianças, ou até mesmo adultos mais desatentos”, avalia a atendente de vendas Mara Sueli, 36. O motorista disse que vai informar à administração os problemas.

Outro problema identificado foi a falta de padronização nas marcações que orientam a parada dos motoristas nas estações, que garantem o alinhamento entre as portas do veículo e as da estação. A referência é uma pequena tarja preta colada na parede externa dos terminais, mas alguns profissionais tiveram dificuldades em encontrá-las em algumas paradas. Na estação em frente ao Minas Shopping, foi preciso o auxílio de assistentes e de passageiros para chegar ao ponto correto.

Durante a tarde de ontem, dois dos três elevadores da estação São Gabriel estavam desligados. Uma assistente que não quis se identificar, relatou que uma cadeirante não conseguiu se deslocar de uma ponta à outra da estação devido ao problema.

Horários diferentes

Das três linhas do Move, apenas a linha 83P (São Gabriel/ Centro) funciona todos os dias de 4h às 0h. As outras duas, 83D e 82 (que vai até a Savassi), operam de segunda a sábado.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que quem poderia falar sobre os problemas enfrentados pelo Move nos seus dois primeiros dias seria a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). No entanto, ninguém autarquia foi encontrado ontem para comentar o assunto.

O que foi dito. No sábado, durante uma coletiva de imprensa, tanto o prefeito Marcio Larceda quanto o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, reconheceram os problemas enfrentados na estreia. “Começamos num sábado justamente para sentir como seria e ter tempo para fazer os ajustes para segunda. São 30 técnicos trabalhando”, disse Cesar, na ocasião. 

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