Putin quer reconstruir influência russa, diz ex-secretário dos EUA

Para Gates, os EUA deveriam desenvolver sua própria estratégia de longo prazo para combater o presidente russo

iG Minas Gerais | Da Redação |

O ex-secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse neste domingo (9) que a ocupação militar da península da Crimeia, na Ucrânia, é parte de um objetivo mais amplo do presidente russo Vladimir Putin de reconstruir a influência da era soviética na Europa Oriental.

"Eu acho que (a ocupação) é parte de uma estratégia de longo prazo de Putin para recriar uma esfera de influência russa e um bloco russo, onde a Rússia tem relações econômicas, políticas e de segurança com esses países, que os tornam todos inclinados à Moscou ou cumprindo as ordens russas", disse Gates no programa "Fox News Sunday".

"Nós vimos isso a primeira vez na Geórgia em 2008", disse Gates, acrescentando que movimentos posteriores de Putin teriam ocorrido na Armênia e Bielorússia. "Francamente, eu não acho que ele vai parar na Ucrânia até que haja um governo em Kiev que seja essencialmente pró-russa."

Ele alertou que o movimento não significa que Putin estaria tentando reconstruir a própria União Soviética. "Eu não acho que ele quer recriar a União Soviética exatamente porque ele não quer ter a responsabilidade por casos economicamente perdidos como a Ucrânia está atualmente. O que ele quer é que esses governos olhem para Moscou e, basicamente, se sujeitem a tudo o que Moscou quer", disse Gates, um antigo oficial de inteligência de segurança nacional dos EUA que serviu como secretário de Defesa entre 2006 e 2011.

Para ele, os EUA deveriam desenvolver sua própria estratégia de longo prazo para combater Putin. Mas Gates avalia que as sanções em discussão, como restrições de vistos, provavelmente não serão dissuasivas para a Rússia. "O que precisamos fazer é mostrar à Rússia que há consequências de longo prazo para esse comportamento agressivo por parte deles", disse. "Nossas opções táticas são bastante limitadas."

Sobre a ocupação na Crimeia, ele avaliou como "um ato agressivo e ilegítimo". Mas perguntado se achava que o território agora "já era", Gates respondeu: "eu acho".