Linha até a Savassi fará 50% do trajeto em pistas mistas

Veículos de número 82 dividirão espaço com ônibus e carros após o Complexo da Lagoinha

iG Minas Gerais | Joana Suarez e Luciene Câmara |

FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
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A linha 82 do Move, que liga a Estação São Gabriel à Savassi e uma das três estreantes de ontem, vai dividir espaço com ônibus convencionais e carros em 50% de seu trajeto. O temor de especialistas, usuários e motoristas do sistema é que, em dias úteis, os veículos articulados contribuam ainda mais com os longos congestionamentos na capital e acabem sendo um dificultador para o propósito do BRT, o de criar um transporte rápido por ônibus. O primeiro dia de operação do Move, ontem, em um sábado de pós-feriado e com pouco movimento, foi de circulação tranquila.

Pelo menos em parte de seus trajetos, todas as linhas que começaram a rodar ontem irão circular em pista mista. No caso da 82, quando o veículo sai da canaleta da Cristiano Machado, passa por um túnel exclusivo (até ai são 6 km) e depois segue sem faixas próprias por mais 6 km, em trechos do Complexo da Lagoinha, das avenidas Andradas, Francisco Sales e Afonso Pena, Getúlio Vargas, além da rua Professor Morais. Essa última via é um ponto crítico na avaliação dos próprios motoristas dos coletivos porque a curva é muito fechada. Assim, eles transitam ocupando todas as faixas da via, o que pode piorar o fluxo.

As linhas que ligam a Estação São Gabriel ao centro – a 83 D (direto, sem parar nos pontos) e a 83 P (paradoura) – também vão enfrentar as pistas mistas no Complexo da Lagoinha e em outros trechos.

“A falta de pistas preferenciais vai piorar os congestionamentos e aumentar o tempo de viagem dos ônibus, não condizendo com a agilidade que o Move promete”, pontuou a arquiteta, urbanista e professora do Centro Universitário UniBH Alícia Rodrigues. A especialista fez o trajeto da linha 82 com a reportagem, na manhã de ontem, e respondeu a um check list (veja na página 27). Para ela, o ideal é que essas faixas ganhassem ao menos uma pintura para priorizar o transporte coletivo.

O presidente da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Ramon Victor Cesar, admitiu diferença de desempenho entre corredores exclusivos e mistos. “Isso é natural. Mas no caso da linha 82, teremos outra opção até a Savassi que vai passar pela s avenidas Augusto de Lima e Alfredo Balena, com faixas exclusivas”. (Com Bárbara Ferreira) Prefeito no Move O único ônibus lotado foi o que levou a comitiva de Marcio Lacerda. Jornalistas, assessores, diretores, secretários e alguns passageiros comuns se amontoaram na linha 83D, da Estação São Gabriel ao centro. Lacerda pagou passagem, passou pelas catracas, foi sentado e depois fez questão de andar em pé. Ele conversou com o motorista e foi questionado por uma usuária sobre a falta de informações. Autoridades fazem avaliação positiva Para a prefeitura e a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), o primeiro dia de funcionamento do Move foi positivo. “O volume de informações para os usuários foi muito intenso, mas acredito que depois do primeiro impacto as pessoas se sentirão seguras e vão estar preparadas na segunda-feira. Vimos muita alegria nas pessoas em ver um transporte que traz mais qualidade de vida”, destacou Marcio Lacerda. A expectativa era que 18 mil pessoas usassem o sistema ontem. No início da noite, no entanto, ninguém atendeu os telefones de plantão da BHTrans e da prefeitura para confirmar o número de usuários. Nome do sistema ainda não pegou No primeiro dia de operação do Move, o nome adotado pela Prefeitura de Belo Horizonte para designar o BRT parece que ainda não pegou entre os usuários. Alguns chamavam os novos ônibus e estações de ‘metrô’, outros de ‘movem’ e a maioria de BRT. O nome foi escolhido em meados do ano passado, e as propagandas na televisão para divulgar o Move começaram a ser feitas na quinta-feira, dois dias antes da estreia.

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