Consumo poderá ser reduzido

Estiagem faz setor prever necessidade de um corte de até 10% na demanda por eletricidade no país

iG Minas Gerais |

Controvérsia. Temporal que caiu em São Paulo causou prejuízos mas aumentou nível de reservatório
GEOVANI VELASQUEZ
Controvérsia. Temporal que caiu em São Paulo causou prejuízos mas aumentou nível de reservatório

Rio de Janeiro. O consumo de eletricidade do Brasil pode precisar ser reduzido entre 5% e 10%. A previsão é feita pela associação do setor elétrico em função da geração de energia de hidrelétricas estar limitada, devido ao baixo volume de água em seus reservatórios, e a geração das usinas térmicas já estar em seu limite de capacidade (17 mil Megawatts). No pior cenário, que incluiria o aumento da demanda por energia e a manutenção dos baixos níveis dos reservatórios, o corte no consumo seria inevitável. Mas a maioria dos empresários acredita que esse cenário é menos provável.

“Há um déficit estrutural de oferta. Pela perspectiva de hoje, há uma necessidade de cortar de 5% a 10% da carga (demanda). Mas essa é uma situação que pode mudar caso comece a chover”, disse Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), uma das 15 associações do setor elétrico que encaminharam, na última quinta-feira, carta ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, pedindo maior diálogo sobre a situação do setor.

“Infelizmente, a situação a médio e longo prazo é muito preocupante. Nunca vi uma seca assim”, afirmou Expedito Rebello, chefe da meteorologia do Inmet.

No último dia 6, o nível de reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste estava em 34,68%, próximo ao do racionamento de 2001. Se o regime de chuvas se mantiver como o atual, esse nível terá variado pouco ao fim de abril: 35,4%, nas previsões do especialista em energia Adilson Oliveira. “Se o Sudeste entrar em colapso, o sistema como um todo entra em colapso”, previu.

Reginaldo Medeiros, da Abraceel, lembra que as térmicas estão operando atualmente muito perto de sua capacidade, situação que já se estende por 18 meses e que deve permanecer por todo o ano de 2014. “Estava prevista a entrada em operação de 8.000 MW (de térmicas) entre 2011 e 2013 e não entrou nada no sistema por atrasos nas obras”, disse Medeiros.

Subsídio

Decreto. O governo publicou, na noite de anteontem, em edição extra do “Diário Oficial da União”, a regulamentação do repasse de recursos para as distribuidoras de energia para neutralizar os custos da compra extra de energia. Valores. Foram disponibilizados R$ 1,2 bilhão, antecipados do orçamento de R$ 9 bilhões, previsto para a Conta de Desenvolvimento Energético.

Futuro

Projetos. Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica de fevereiro, foram autorizados 33 projetos de térmicas, totalizando capacidade de 6.942,81 MW, para operarem até 2020.

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