Ainda não é, mas pode ser

iG Minas Gerais |

undefined

Após os amistosos das seleções, aumentou o favoritismo do Brasil. A turma dos eufóricos, pachecões, acha que é impossível perder a Copa em casa, que Xavi e Iniesta são craques de museu, que a troca de passes do Barcelona e da Espanha está ultrapassada e sem graça, que a Alemanha é uma ilusão, por causa do sufoco contra o Chile, e que a defesa da Argentina é pior que a do Íbis. A seleção brasileira é a única pronta para o Mundial. Um ano antes, era o contrário. Méritos para Felipão. Ele já definiu o sistema tático, as variações, o time titular, os reservas com chances de entrar durante as partidas e os que estarão na Copa, mas que, dificilmente, terão oportunidade de atuar. Felipão é um desses profissionais que não ruminam e que não têm eternas dúvidas. Faz, às vezes, mais pelo que deu certo que pela realidade atual. Isso pode ser perigoso. O Brasil deveria ter enfrentado, nesse amistoso, uma seleção que marcasse mais atrás, como fez a Romênia, contra a Argentina. Times que deixam muitos espaços nas costas dos defensores, como a África do Sul, vão penar contra jogadores hábeis e velozes, como Neymar, Messi, Agüero e outros. Neymar tem que atuar mais perto do gol, como fez nesse jogo. Com isso, não dá para voltar para proteger Marcelo, como Hulk faz pela direita. Se Oscar atuar pela esquerda, melhora a marcação, mas falta o armador pelo centro. Os outros técnicos estão de olho no Brasil. Enquanto isso, Espanha e Alemanha ainda não definiram o centroavante. Diego Costa deu muita canelada na estreia, contra a Itália.

Parece que os alemães estão preocupados em escalar Klose, para ele tentar bater o recorde de gols de Ronaldo em Copas do Mundo.

A pior defesa do mundo, a da Argentina, como os ufanistas gostam de dizer, foi melhor que o poderoso ataque, contra a Romênia. O time tem sofrido poucos gols. Messi, Agüero e Higuaín, mais uma vez, ficaram embolados pelo meio. Não havia jogadas pelos lados, a não ser quando Di Maria avançava pela esquerda. Os dois laterais marcam muito, mas são fracos no apoio. Estou otimista com a seleção brasileira, confiante, desconfiando. O time está muito bem, pronto, mas pode melhorar. Preocupa-me o fato de tudo ter sido definido a um ano do Mundial. É muito tempo. Planejamento é essencial, mas me fascina, e é também importante, o novo, a surpresa, o acaso, o que ainda não é, o que não mostrou suas garras. Costumam ser as coisas mais belas e eficientes. Assim como precisamos do microscópio, da lupa, do tira-teima, para ver alguns lances, nossa visão do que está nebuloso, encoberto, é precária. Não enxergamos o mais importante, o que está à frente. Após o fato, as explicações ficam claras, óbvias. Bem que estava desconfiado, dirá o comentarista.

Novas chuteiras

Leio no jornal O TEMPO que a Nike e a Adidas lançaram uma nova chuteira, que parece uma botinha de cano longo. Os craques Iniesta, Götze e Thiago Silva vão usá-la na Copa. Fiquei preocupado. Será que vão se adaptar bem? A promessa das empresas é que o pé vai ficar sempre seco, mesmo na chuva, e que a chuteira vai proteger contra torções de tornozelo. Isso me faz lembrar da Copa de 1970. Pelé, que jogava com uma chuteira da Adidas, na época, a mais confortável, fez um contrato com a Puma para jogar a final. O roupeiro retirou da chuteira Adidas a marca que identificava a empresa e colocou a da Puma. Tudo ficou resolvido. Pelé continuou com a chuteira que gostava, e a Puma faturou alto.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave