Arte como vetor de mudanças

iG Minas Gerais | carlos andrei siquara |

Samira Ávila, Atriz e diretora de projetos do Plug Minas
Thiago Vidigal
Samira Ávila, Atriz e diretora de projetos do Plug Minas

Ex-diretora artística do programa Valores de Minas, existente desde 2005, até o ano passado, a artista assume agora a direção de projetos do Plug Minas. Com novas ações em vias de serem implementadas no centro de formação e experimentação digital, nesta entrevista ela comenta os objetivos que norteiam as atividades e aborda alguns dos seus próximos passos. 

Neste ano você está à frente da direção de projetos do Plug Minas – Centro de Formação e Experimentação, que realiza o Valores de Minas, entre outras iniciativas, desde 2009. Ex-diretora artística desse programa, que existe há nove anos e é um dos núcleos do Plug Minas, como essa experiência de trabalho inspira o desencadeamento de ações a serem empreendidas a partir de agora?

O Plug Minas abarca um leque mais amplo de atividades que o Valores de Minas, que é focado em arte e educação, e abarca cursos de empreendedorismo jovem, planejamento e gestão, entre outros. No Valores há um pensamento articulado entre arte e cidadania. O tempo todo estamos visualizando a formação dos jovens também como sujeitos. O ensino artístico não está separado da ideia de aplicá-lo como potencial de transformação e de promoção de cidadania e autonomia. Nós trabalhamos com estudantes que estão entre 14 e 24 anos, um momento crucial para quem está tentando saber qual caminho seguir. Essa, entre outras experiências possibilitadas pelo Plug, visam se somar àquilo que faz parte da convivência deles no espaço escolar. Aliado a essa oferta de atividades, há uma questão que é sempre muito relevante: a importância de ter em mente a relação entre o que se aprende no Plug Minas e o mercado de trabalho. Conhecendo mais de perto a dinâmica dos outros núcleos, eu percebo como essa juventude está diretamente ligada à possibilidade de se dar um primeiro passo não só em uma carreira artística, mas também no mercado de trabalho. Eu vejo o Plug Minas como a porta de entrada para se viver experiências, como aquelas que se têm em uma universidade. 

Para 2014, há previsão de implementação de novos projetos?

Sim, a partir de agosto começamos a atender jovens em 705 vagas criadas pelo Senac. Dessas, 105 serão voltadas para um curso técnico em produção de moda, algo pioneiro no Brasil. As aulas vão acontecer no espaço do Plug Minas e o curso terá um caráter multidisciplinar. As outras serão destinadas a nove cursos de média e curta duração. Alguns deles, por exemplo, têm a ver com o ofício de corte e costura, vitrinista, entre outros. Já foram aprovadas também pelo governo do Estado duas obras que vão dar origem a dois novos núcleos. A previsão é que fiquem prontos entre 2014 e 2015. Um vai funcionar como uma academia de esportes virtuais, voltado para a produção de games softwares que se valem de tecnologias como os consoles que permitem interação por meio dos movimentos do corpo. O outro é a Lan House do Conhecimento que vai funcionar como uma biblioteca com assuntos e temas transversais relacionados à juventude. O espaço vai funcionar como um grande centro de conhecimento e troca de experiências. Os dois núcleos serão construídos e equipados com financiamento do governo. Após a sua conclusão é que vamos buscar parcerias com entidades mantenedoras.

O Plug Minas desde 2009 vem diversificando as áreas de atuação e teve como um dos seus primeiros programas o Valores de Minas. A trajetória desse trabalho, ao seu ver, contribuiu para incentivar a ampliação do centro?

Acredito que sim. O Valores de Minas talvez tenha sido um incentivador para a consolidação do pensamento que aposta no protagonismo juvenil, na defesa da promoção da autonomia por meio de uma formação complementar. O Plug abre essa proposta mais ainda, possibilitando a entrada de vários núcleos como o Oi Kabum!, os jogos digitais, entre outros que temos aqui hoje. O Valores é o projeto mais antigo e que nasceu antes do Plug, independente, mas que ganhou uma força muito grande quando passou a ser realizado aqui, na medida que veio incorporar um tanto de diretrizes pedagógicas e de gestão. Por outro lado, o Plug também dá um salto e se consolida com a chegada de outros núcleos, se tornando o centro que conhecemos.

Que importância o Plug Minas vêm ocupando, ao seu ver, no contexto da cidade?

Eu acredito que ele tem como sua principal vocação ser um espaço de construção de cidadania. Eu vejo no jovem que frequenta o Plug a possibilidade de sair daqui com muito mais perspectivas, com um olhar mais amplo para o mundo e não só para o mercado de trabalho, para a cidade ou mesmo para a sua própria comunidade. Eu o entendo como um projeto que favorece muito a participação social e isso é muito transformador. O nosso objetivo não é só oferecer uma formação de qualidade por meio dos núcleos, não nos interessa apenas a apresentação de diferentes conteúdos, mas a pesquisa, a ação e a reflexão. Estamos interessados em uma formação crítica, abrindo lugar para que o jovem tenha oportunidade de conviver com outras pessoas e a partir disso possa participar de ações que gerem autonomia. Aquele que participa, por exemplo, de um curso de artes visuais no Oi Kabum! pode experimentar em outro momento uma aula de dança, de jogos digitais, de circo, de jardinagem ou de administração. Isso propicia, sobretudo, a viabilidade de um contato com a experimentação.

Essa visão do Plug Minas como um lugar onde é possível ter experiências como o ambiente de uma faculdade foi sendo moldado ao longo de sua existência ou surge junto com o início do projeto?

Desde o início tínhamos como norte o foco nessa ideia de tornar viável a aquisição de experiências. Mas óbvio que à medida que o projeto foi amadurecendo e núcleos foram sendo incorporados, com várias outras ferramentas, muitas ideias foram sendo construídas. Com a entrada de novas estratégias, algumas dinâmicas começam a surgir. O trabalho desenvolvido aqui é amplo e constantemente surgem demandas. No ano passado, por exemplo, com a presença das manifestações isso provocou discussões entre os professores, o que, por sua vez, acabou sendo levado também aos alunos. Foram debatidos entre os jovens alguns temas em torno daqueles movimentos e neste ano, com as eleições chegando, propostas de debate devem ser conduzidas. Pensamos agora em realizar, inclusive, uma assembleia para a votação do regimento interno. Essa vai ser uma oportunidade para os meninos verem o que significa pensar nos seus direitos e deveres. O projeto do Plug Minas tem uma base muito forte, mas ele é revisitado o tempo todo.

Você tem também o seu trabalho como atriz, como fica agora esse seu outro campo de atuação com o novo cargo?

Não dá para fugir disso. Até o ano passado eu assumi a direção artística do Valores de Minas e em 2014 esta será a primeira vez que trabalho no Plug Minas exclusivamente com gestão. Mas é algo em que eu acredito muito, que são essas ações empenhadas na transformação humana. Por outro lado, justamente por isso, eu acho que vou conseguir também focar um pouco no meu trabalho como artista. No Valores de Minas eu era muito preenchida artisticamente. Dirigir 500 pessoas era uma experiência que não me faltava nada. Agora, eu devo voltar um pouco ao meu trabalho pessoal e certamente vou precisar me acostumar a não ter 500 pessoas em cena.

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