Tecnologia deixa o cérebro preguiçoso e afeta a memória

Excesso de aparelhos e conexões prejudica o raciocínio e exige alguns cuidados

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Exercícios. A publicitária Barbara Freiris tenta decorar um número que utiliza muito para não deixar o cérebro acomodado.
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Exercícios. A publicitária Barbara Freiris tenta decorar um número que utiliza muito para não deixar o cérebro acomodado.

Não conseguir decorar números de telefones e depender sempre dos smartphones para fazer cálculos são apenas alguns dos sinais do que a tecnologia está provocando na nossa memória, assim como na capacidade de aprendizagem e de conseguir manter um foco de atenção.

O engenheiro Edison Antônio Oliveira acredita que existe também uma preguiça mental. “É quase uma compensação. Estamos trocando a tabuada por uma sequência de comandos”, afirma o diretor do Instituto de Aprimoramento Mental (IAM), por onde já passaram mais de 5.000 alunos.

Para Oliveira, essa característica fica mais evidentes nos jovens. “Vejo com certeza um prejuízo ao raciocínio. O nível de compreensão tem sido afetado pelos aparelhos. Eles (jovens) recebem tudo pré-pronto e não aprendem mais a raciocinar, o poder de dedução tem piorado, muito mais do que a própria memória em si”, diz.

Em pelo menos oito horas do seu dia a publicitária Bárbara de Souza Freiris, 21, está conectada a computadores e smatphones. Ela acredita que, se não exercitada, a memória se acomoda. “Quando tem um número que ligo muito, procuro não salvá-lo no telefone e me forço a decorar para exercitar um pouco. O uso das tecnologias depende da gente e é importante fazermos exercícios para não acomodar, mas às vezes a correria impede que isso aconteça com frequência”, conta.

A psicóloga Mônica Vidal não acredita que a tecnologia ‘emburreça’ ou nos deixe acomodados, mas nem por isso deve ser venerada ou condenada.

Segundo Mônica, isso é mais frequente quando se tenta ser “multitarefa”. “Ao dividimos nossa atenção entre vários estímulos (como dirigir, falar ao telefone e mexer no rádio do carro ao mesmo tempo), a atenção, que deveria estar focada no trânsito, fica dispersa de modo que a eficácia da tarefa de dirigir  – que nesse caso é a mais importante – se perde”, explica.

Além disso, a psicóloga acredita que com a quantidade de informações e estímulos recebidos, o tempo que precisamos para assimilar essas experiências acaba ficando compactado. “Por isso o cérebro acaba deletando informações que ele julga serem de pouca relevância, o que afeta o sistema memória e esquecimento”, diz.

Dicas para ativar e turbinar o cérebro:

Leitura: É a melhor das opções, pois durante a leitura, nosso cérebro, através da evocação de memórias (lembranças), é capaz de construir toda uma história e utilizar as variedades de memórias como por exemplo, a memória das palavras, das letras, dos sons, das cores e de contexto.

Palavras-cruzadas: São ótimas para exercitar o cérebro, pois nelas, assim como na leitura, precisamos, a cada novo desafio, buscar em nossas memórias, todas as possíveis informações que se encaixem no que está sendo pedido.

Novidades: Nosso cérebro “gosta” de novos desafios, como por exemplo, aprender a tocar um instrumento musical e, aprender um novo idioma, como a língua inglesa.

Hábitos de vida: Fazer exercícios físicos, ter uma ótima noite de sono, alimentação balanceada e, não abrir mão da interação social.

Fonte: pesquisadora Jociane de Carvalho

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