Forças pró-Rússia tomam base militar ucraniana na Crimeia

Número de soldados russos na região dobrou, chegando a cerca de 20 mil, segundo o Pentágono

iG Minas Gerais |

Ocupação. Cerca de 20 mil soldados russos estão na Crimeia, segundo o Pentágono, órgão dos EUA
Ivan Sekretarev
Ocupação. Cerca de 20 mil soldados russos estão na Crimeia, segundo o Pentágono, órgão dos EUA

KIEV, Ucrânia. Pela primeira vez, a Rússia sinalizou, ontem, que está preparada para anexar a Crimeia, aumentando a tensão com o Ocidente pela crise política na Ucrânia e desmerecendo o sistema de respeito por fronteiras nacionais que ajudou a manter a paz na Europa – e em outros lugares – por décadas. O texto acima, publicado nessa sexta no site do jornal “The New York Times”, resume a complexa situação da presença russa na Ucrânia.  

Uma semana após a entrada de tropas russas na estratégica região ucraniana da Crimeia, ontem, o Pentágono confirmou que a ocupação aumentou. Agora são 20 mil soldados russos na estratégica região.

Na tarde de ontem, homens armados tomaram, sem disparar tiros, uma base de mísseis do Exército ucraniano em Sebastopol. De acordo com um oficial ucraniano, a tropa da base de Yukharina Balka, em Sebastopol, chegou a ficar refugiada em um bunker após ter sido tomada pelas forças pró-Rússia. Após conversas com os militares ucranianos, os homens armados deixaram a base.

Situações similares ocorreram em outras bases militares e pontos-chave da fronteira da região, segundo o jornal “The Guardian”.

Observadores. Pelo segundo dia consecutivo, 47 oficiais representando 25 (dos 27) países-membro da União Europeia que agiriam como observadores foram impedidos de entrar na região por grupos armados favoráveis a Moscou. Militares europeus desarmados também não conseguiram acesso à península.

Energia. A companhia russa Gazprom ameaçou deixar de exportar gás para a Ucrânia dado às dívidas que o país tem com a gigante do gás. A União Europeia e os Estados Unidos fizeram uma oferta de ajuda financeira à Ucrânia que incluía o pagamento de gás, mas não está claro se os empréstimos chegarão a tempo, caso a Gazprom realmente decida cortar o fornecimento.

Situação. A situação ucraniana começou em novembro, quando multidões foram às ruas de Kiev para pressionar o então presidente, Viktor Yanukovich, a fechar um acordo comercial com a União Europeia em detrimento de um com a Rússia, sem sucesso. O movimento se fortaleceu diante da derrota e ocupou a Prefeitura de Kiev e a Praça da Independência. O governo reagiu com violência e prisões arbitrárias.

Depois de meses de embate, em fevereiro, Yanukovich deixou o país, e um governo interino pró-UE assumiu o poder. O Ocidente reconheceu a troca, mas o governo russo viu nela um golpe de Estado. Com base nisso, alegou que havia ameaça aos cidadãos de etnia russa que vivem na Crimeia e foi, aos poucos, tomando o controle da área.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave