A opção para investir no Brasil

iG Minas Gerais |

O último relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), sobre os fluxos de Investimento Estrangeiro Direto (IED), mostrou a entrada de US$ 63 bilhões no Brasil no ano passado. O volume equivale a 8,3% de todo o recurso destinado aos países em desenvolvimento em 2013. O dado divulgado em janeiro, ainda preliminar, é um pouco inferior aos volumes registrados nos dois anos anteriores, mas suficiente para deixar o Brasil entre os seis principais destinos do dinheiro disponível no mundo para investimento na produção. Mais: esse volume é 30% maior do que o destinado ao Brasil em 2010. O desempenho dos últimos três anos nos deixa na ponta de cima do ranking, próximo dos Estados Unidos e da China, e nos distancia do Chile, para citar apenas um dos países cujo modelo de desenvolvimento econômico é considerado pelos analistas referência para o Brasil. Há sempre a possibilidade de os críticos estarem certos e o governo estar errado, mas é pouco provável que tudo que esteja sendo feito pelo governo federal esteja errado, como esses críticos querem fazer crer. Uma avaliação correta desse pessimismo exagerado – que muitas vezes esconde preferências políticas sob análises aparentemente imparciais – foi manifestada pelo presidente da Vale, Murilo Ferreira, na última quinta-feira. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, o executivo disse que “estamos vivendo dois ambientes diferentes”. Em um deles, “parte dos brasileiros fica muito feliz de o desemprego estar em 4,3%, quase no pleno emprego”. No “outro time”, há preocupação porque houve uma queda da produção industrial de 3,5% e um déficit em conta corrente de 3,7% do PIB. “O déficit em conta-corrente é um dado muito importante, e o governo tem de tomar as providências dele. Mas eles (os críticos) não olham que o déficit foi financiado com 2,9% por meio do investimento estrangeiro direto, o que é um número excepcional, porque demonstra que muitos no exterior estão interessados em investir no Brasil”, declarou. Murilo é presidente de uma das maiores empresas do Brasil que, nascida em Minas Gerais, tornou-se a companhia brasileira mais internacionalizada, com atuação em 31 países, de acordo com a Fundação Dom Cabral. “Há um elemento brasileiro de verdadeiro Fla x Flu”, disse. Nós, mineiros, poderíamos chamar de Galo x Raposa. O resultado do IED não me surpreende. Nos três anos em que estive à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a maior parte da minha agenda foi preenchida com reuniões de executivos brasileiros e estrangeiros que vinham anunciar novos investimentos ou a ampliação de fábricas já instaladas no Brasil. E isso se dá porque, ao se transformar num dos maiores mercados consumidores do mundo a partir das políticas de inclusão social iniciadas no governo Lula e mantidas pela presidente Dilma, com regras estáveis e respeito a contratos, nosso país tornou-se uma opção de investimento seguro.

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