Nem em 2001 reservatórios ficaram vazios durante verão

No ano do apagão, situação se agravou após março; Furnas caiu para 32,3%

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Vazio. 
Situação dos reservatórios é crítica em várias partes do país
Vazio. Situação dos reservatórios é crítica em várias partes do país

Pela primeira vez desde o ano 2000, os reservatórios do sistema Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenagem do país, estão esvaziando em pleno verão. Nem em 2001, ano do racionamento de energia, essa situação aconteceu. “Naquele ano, os reservatórios se esvaziaram em janeiro na comparação com dezembro, mas subiram em fevereiro em relação a janeiro, porém não foi suficiente para evitar o racionamento”, lembra o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Eduardo Rego.

Neste verão, o nível dos reservatórios da região, que estava em 43,18% em dezembro de 2013, baixou para 40,28% em janeiro deste ano e fechou fevereiro em 34,61%. A situação fica ainda mais preocupante porque a previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é que em março chova apenas 67% da média histórica para o período.

Nos maiores reservatórios de Minas Gerais, a queda no volume armazenado é grande. Em janeiro, Três Marias tinha 27,56% de água. Anteontem, o percentual caiu para 20,52%. Em Furnas, o volume baixou de 46,26%, em janeiro, para 32,3%, anteontem.

A seca do Lago de Furnas vem causando prejuízo a dezenas de municípios do Sul de Minas Gerais, onde está localizado, e deixando o sistema elétrico brasileiro em alerta. Responsável pela geração de 17,46% da energia consumida nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o reservatório viu o volume de água baixar mais de um metro e meio em duas semanas e perder 14% de seu índice em pouco mais de um mês. Hoje, o Lago de Furnas está 10 metros abaixo do nível máximo.

E, se de um lado existe a preocupação com relação à produção de energia, de outro o represamento da água com essa finalidade é sentido diretamente pelos municípios que dependem economicamente do rio. Com a seca no lago, pousadas, hotéis, restaurantes e outros negócios que sobrevivem graças a sua água se preparam para dias difíceis.

A pesca e a navegação quase que deixaram de existir em muitos locais. “Ainda estou trabalhando, mas muitos colegas aqui da região já pararam”, conta Fábio Maciel, dono da Pousada da Garça, no município de Fama, que ainda consegue oferecer a pesca esportiva aos turistas. Mas ele mesmo diz que a expectativa é que o lago esteja seco dentro de 40 dias. A última vez que a represa secou foi em 2001. (com agências)

“O percentual (de armazenamento) já é ruim por si só, mas fica pior porque neste período era para o nível dos reservatórios subir, porém ele está caindo ainda mais”

Erik Eduardo Rego, Excelência Energética  

Números

32,3% é o nível atual verificado no reservatório de Furnas

20,52% era o nível de Três Marias anteontem, o mais baixo verificado desde 2000 Entidades dizem que situação é delicada Brasília. Representantes de grandes consumidores de energia elétrica, distribuidoras e transmissoras entregaram carta ao Ministério de Minas e Energia, na qual manifestam preocupação em relação ao nível dos reservatórios das hidrelétricas. Segundo o Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), a situação atual do setor elétrico é delicada e merece cautela. As associações representativas dos segmentos de geração, transmissão, comercialização, distribuição e consumo de energia também pediram para participar das reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que se reúne mensalmente para avaliar o setor. Entre as entidades que assinam a carta estão a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), entre várias outras. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste estavam em 34,68% anteontem. O sistema abrange cerca de 70% dos reservatórios do país. No final de janeiro, o nível estava em 40,3%. Apesar da falta de chuva e do baixo nível dos reservatórios, o governo diz que não haverá problema de abastecimento de energia no país. Recentemente, o CMSE disse que o sistema elétrico brasileiro está estruturalmente equilibrado. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também já disse que não haverá problemas de abastecimento “em nenhuma circunstância”.

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