A baronesa das artes

iG Minas Gerais |

“O mineiro gosta de arte, mas é lento para se decidir, pensa, é cauteloso, pede opiniões”
Viviane Martins
“O mineiro gosta de arte, mas é lento para se decidir, pensa, é cauteloso, pede opiniões”

Não à toa, a galerista Beatriz Lemos de Sá foi alcunhada pelos mais íntimos como Baronesa. Tudo a ver. Beatriz tem nobreza em tudo o que faz. Apreciando, comprando ou vendendo as mais belas artes, em sua Lemos de Sá Galeria, no Jardim Canadá. Das mais bonitas e elegantes da cidade, ainda tem ótimo humor. Beatriz, deu pra comemorar 2013, no carnaval de 2014? Não foi um baile de gala do Municipal, mas deu para comprar confetes e serpentinas. Como vai e como é o mercado de arte em Minas? Como ele era praticamente inexistente há alguns anos atrás, podemos dizer que ele vem crescendo a cada ano e não podemos nunca falar que ele está em baixa, desde que nunca foi um mercado que esteve em alta. Ainda! Qual o perfil dos teus clientes? Principalmente colecionadores e jovens que começam a se interessar e a se encantar com arte e a entender que fazer as suas aquisições em galerias sérias e que possam orientá-los nas suas escolhas é o caminho mais curto para se formar uma bela coleção. Mas a galeria não é visitada apenas por aqueles que têm este interesse. Outro nicho importante é o de pessoas de bom gosto, que querem ter uma casa bem montada e, naturalmente, com boas obras na sua decoração. Galeria em Minas, clientes em São Paulo? Sim, muitos paulistas e clientes de outros estados, como também, hoje, um número expressivo de colecionadores mineiros que reconhecem a importância das nossas galerias contemporâneas. O mineiro gosta de arte, não tem dinheiro ou não quer gastar com arte? O mineiro gosta de arte, mas é lento para se decidir, pensa, é cauteloso, pede opiniões a amigos, família, outros colecionadores; enquanto o paulista é mais rápido, decide em dez minutos e compra a obra. Com que tipo de arte você trabalha? Com a arte contemporânea de boa qualidade, não só de artistas consagrados, mas também de jovens talentos. As pessoas em geral tendem a achar que toda obra boa é cara. Engano, porque você pode adquirir um excelente trabalho de um artista iniciante por um preço compatível com qualquer bolso. Qual é o tipo mais procurado no mercado? Não existe um tipo mais procurado, mas eu diria que a arte contemporânea tem crescido no mercado mineiro e Inhotim impulsionou este gosto. As pessoas saem de lá com um novo olhar sobre aquilo que antes causava estranheza. Uma lembrança de teu amigo Amilcar de Castro. As tardes de sábado em volta de uma mesa e bebendo vinho com amigos. Sinto estas conversas não terem sido gravadas, pois dariam vários documentários incríveis sobre ele. Era brilhante e de uma lucidez assustadora. As exposições e vernissages andam mais raros ou é impressão nossa? Os vernissages continuam existindo sim, mesmo porque não poderíamos ser considerados galeristas se não os realizássemos. Talvez, hoje, dividam suas atenções com as feiras de arte, que também são retornos importantes que damos aos artistas que representamos. De que feiras nacionais e internacionais você participa? Já participamos de algumas feiras internacionais, mas resolvemos focar agora nas nacionais que estão se destacando no mercado internacional e atraindo as galerias de ponta dos EUA e Europa. O mercado brasileiro está bom para a arte. Este ano, estaremos na SP Arte, ArtRio e SP Arte/Brasília, esta, em sua primeira edição. E o mercado exterior para a arte brasileira? Ainda acho incipiente. A maioria dos compradores é de brasileiros morando fora ou mesmo residentes aqui que desejam aquela determinada obra que está sendo negociada fora do país. Mas é uma questão de tempo, pois temos artistas excelentes que podem competir lado a lado com os grandes nomes internacionais. Acredito que a arte brasileira crescerá cada vez mais no mercado internacional. Paulo Navarro com Sabrina Santos

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