As travessuras de Malasartes

Companhia Circunstância comemora dez anos de vida dedicados a fazer teatro nas ruas e praças de Belo Horizonte

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Homenagem. 
Espetáculo da companhia criada em Belo Horizonte faz tributo a uma das figuras populares mais importantes do país
LINA MINTZ
Homenagem. Espetáculo da companhia criada em Belo Horizonte faz tributo a uma das figuras populares mais importantes do país
Ao pesquisar elementos da cultura popular brasileira e arquétipos que remetessem aos anti-heróis, a Companhia Circunstância passou por Curupira, Macunaíma (personagem do livro homônimo, um clássico modernista de Mário de Andrade), Chicó e João Grilo (de Ariano Suassuna) e chegou, finalmente, a Pedro Malasartes. O resultado dessa pesquisa é o espetáculo “De Mala às Artes”, que volta a se apresentar neste fim de semana, três vezes, em parques de Belo Horizonte.   “Pensamos que seria bom resgatar algumas figuras populares, que estivessem dentro desse imaginário popular. E chegamos nessa figura do Pedro. Quem nunca ouviu uma de suas histórias contada pela avó, pelo vizinho?”, indaga Diogo Dias, ator, palhaço e coordenador geral da trupe. Pedro Malasartes, o astuto e justiceiro personagem, é conhecido no mundo inteiro por zombar dos poderosos, dos muquiranas e dos presunçosos. Os palhaços Alegria Também, Guimba, Bambulino, Repimboca e Tica-Tica do Fubá se divertem contando as traquinagens dele.   Uma das lacunas recorrentes do circo é justamente a construção de sua dramaturgia. É difícil lembrar nomes de autores que tenham se dedicado à escrita específica para o gênero. Assim, a companhia foi buscar no teatro a base de sua pesquisa de texto. “A gente trabalha com a linguagem de palhaço desde o início da companhia. Sempre tivemos esse desejo de enveredar dentro da pesquisa teatral misturada com a linguagem de palhaço”, explica Dias. A direção é assinada por Rodrigo Robleño, palhaço chileno radicado em Belo Horizonte, antigo parceiro da Circunstância.   O espetáculo marca os dez anos de vida da Companhia Circunstância de Palhaços. Mesmo que a cada dia seja mais difícil ver artistas que sobrevivam dos dividendos levantados – quase exclusivamente – com seu trabalho ainda há alguns exemplos dessa resistência. “Passamos seis, sete anos de nossa trajetória produzindo nossos trabalhos e sobrevivendo do chapéu (é comum no final de espetáculos de circo, os artistas ‘passarem o chapéu’ para o público dar qualquer quantia de dinheiro voluntariamente)”, destaca Dias.   Ainda que muito tempo não tenha se passado desde que começaram a se apresentar em espaços públicos, o palhaço aponta um agravamento nas burocracias para se apresentar em tais lugares. “Aquele decreto ridículo do Marcio Lacerda (decreto número 13.789, de 9 de dezembro de 2009, que proíbe eventos de qualquer natureza na praça da Estação) dificultou muito nossa vida. Hoje em dia é mais fácil se apresentar em parques, porque a relação é mais direta com a administração dos locais”, revela o artista.    SEDE. Há pouco mais de um ano, o coletivo de palhaços aluga um galpão nos fundos de um comércio na rua Junquilhos, no Jardim América. O espaço era alugado pela trupe do Armatrux antes. “Eu fiquei meio nostálgico porque em 1999 ou 2000, fiz um de meus primeiros trabalhos profissionais com o Armatrux nesse espaço”, relembra Dias. Acostumados com a rotina da rua, os palhaços inverteram a mão de sua criação. “Antes, nós íamos para a rua com uma ideia, um pequeno roteiro e testávamos ali mesmo algumas vezes. O ‘De Mala às Artes’ foi o primeiro espetáculo que fizemos inteiramente na sala de ensaio”, destaca Dias.    Depois de passar o ano de 2013 voltados para os ensaios da peça “De Mala às Artes”, a Circunstância planeja novos ações. “Para 2014, pensamos em abrir o espaço. Primeiro para a comunidade e também para outros artistas. Temos um coletivo ensaiando aqui todas às noites e uma artista argentino que virá fazer um residência aqui”, conclui Dias. 
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  • AGENDA
  • O quê. “De Mala às Artes”.
  • Quando. Hoje, às 10h e 15h. Amanhã às 15h.
  • Onde. Hoje, Parque Municipal Américo Renné Gianetti (avenida Afonso Pena, 1.377, centro); amanhã, Parque Aggeo Pio Sobrinho (avenida Professor Américo Werneck, 2.691, Buritis) </MC>
  • Quanto. Gratuito
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