Rede de Escritoras Brasileiras completa 15 anos de atividade

A imortal da ABL Nélida Piñon é uma das associadas da Rebra; já Joyce Cavalccante diz que rede mudou o perfil editorial do país

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

A imortal da ABL Nélida Piñon é uma das associadas da Rebra
Fernanda fernandes/ agencia estado
A imortal da ABL Nélida Piñon é uma das associadas da Rebra

A Rede de Escritoras Brasileiras – Rebra – completa hoje 15 anos de atividade, com uma festa na Casa das Rosas, em São Paulo. Sarau, lançamentos e palestras estão da pauta desta que a presidente da organização sem fins lucrativos, Joyce Cavalccante, compara à Virada Cultural, tamanho o caráter artístico e agregador.

Joyce, cearense radicada em São Paulo que tem dez livros publicado e está presentes a lançar seu primeiro título infantojuvenil, explica que a Rebra era um desejo antigo que ganhou vida após sua participação num congresso de escritores na Argentina.

“Eu atribui a nossa atuação um fenômeno de sincronicidade. É o meu esforço e de várias escritoras para abrir oportunidade e espaço para as mulheres na literatura. Acredito que mudamos o perfil de algumas escolhas editoriais no país. Quando virou o século, surgiram muitas antologias, dos melhores contos, crônicas e poesias. A presença feminina era muito tímida. Após a visibilidade que a rede busca, o perfil mudou”, considera.

Atualmente, a rede conta com 4.303 associadas e representação em 12 países. Entre as escritoras mais conhecidas está a imortal Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, entre 1996 e 1997. Rachel de Queiroz, também pioneira na ABL (a autora do clássico “O Quinze” foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia), e morta em 2003, chegou a se filiar.

Ao navegar pelo site (rebra.org), principal meio de intercâmbio das autoras, faltam nomes como Adélia Prado, Lygia Fagundes Telles e Lya Luft. A presidente da Rebra esclarece, no entanto, que a associação é voluntária mediante a algumas regras e a anuidade de R$300. Com isso, a escritora terá acesso a diversas oportunidades na área, segundo Joyce Cavalccante.

“Nós descobrimos escritoras fabulosas. 80% das nossas associadas têm doutorado. Temos associadas que ainda não haviam lançado o primeiro livro, como Neta Mello. Hoje, ela estuda nos Estados Unidos e possui publicações, a exemplo do romance ‘Sem Remetente’, e é uma das maiores cronistas do Brasil”, explica.

Um dos suportes interessantes da Rebra é o selo editorial, que leva o nome da rede, e tenta suprir a lacuna da publicação, priorizando o trabalho das associadas. “Como ela não possui fins lucrativos, terceirizamos o serviço. É uma iniciativa que vem dando certo há 12 anos”, comemora.

Joyce considera que futuramente as escritoras vão gerir as próprias carreiras, e a rede vem dando esse suporte. “Eu mesma publiquei por grandes editores e agora optei pelo selo. O caminho independente é fundamental”, conclui.

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