Paramilitar que matou 3 mil pessoas pode ser libertado

Jorge Iván Laverde, conhecido como "o Iguano" ordenou e participou do assassinato de dezenas de militantes de esquerda e supostos traficantes

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Um dos mais temidos paramilitares colombianos, que confessou sua responsabilidade em mais de 3 mil assassinatos, poder ser libertado em breve, depois de ficar oito anos preso.

Jorge Iván Laverde, conhecido como "o Iguano", chefe de um bloco extinto das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia, cumpria ordens de Carlos Castaño e Salvatore Mancuso para acabar com tudo que pudesse estar relacionado a guerrilhas. Ele operava em Catatumbo, na fronteira com a Venezuela. Ordenou e participou do assassinato de dezenas de militantes de esquerda e organizou uma chamada "limpeza social", que matou centenas de supostos ladrões assaltantes e traficantes de drogas. Laverde usava fornos artesanais para fazer desaparecer os cadáveres.

De acordo com estimativas da Procuradoria Geral da Colômbia, cerca de 400 paramilitares deveriam sair da prisão este ano após cumprirem pena por crimes pelos quais poderiam pegar sentenças até cinco vezes maiores se o direito penal fosse aplicado sem qualquer atenuante. As penas leves estão previstas na lei de Justiça e Paz de 2005, que deu a paramilitares essas sentenças em troca da confissão de todos os seus crimes e da entrega de ganhos ilícitos como compensação às vítimas.

Ativistas de direitos humanos defendem que as libertações, previstas para começar este mês, são prematuras e perigosas em um país que está negociando um processo de paz em Cuba com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "É um risco grande que é preciso evitar", disse Gustavo Gallón, diretor da organização não-governamental Comissão Colombiana de Juristas. Segundo ele, é evidente que as vítimas de paramilitares verão "com grande temor e grande preocupação" seu retorno à liberdade.

Dados oficiais dão conta de que, entre 2003 e 2006, cerca de 30 mil paramilitares deixaram as armas, durante o governo do presidente Álvaro Uribe (2002-2010).

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