Esportivo se desculpa por atos de racismo contra árbitro

Márcio Chagas da Silva foi chamado de macaco e teve o carro depredado por torcedores

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Até bananas foram atiradas no carro do árbitro
Arquivo pessoal
Até bananas foram atiradas no carro do árbitro

O presidente do Esportivo, Luis Oselame, emitiu uma carta aberta nesta sexta-feira para se desculpar, em nome do clube, pelos atos de racismo praticados contra o árbitro Márcio Chagas da Silva, que é negro, durante a partida entre Esportivo e Veranópolis, quarta-feira à noite, no Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, interior do Rio Grande do Sul.

"Os fatos de racismo relatados pelo árbitro Márcio Chagas em nosso estádio me entristecem não apenas como presidente e torcedor do Esportivo, mas também como empresário, bento-gonçalvense, homem e pai de família", escreveu o presidente do clube, que pediu desculpas "se, aos olhos dos grandes, não soubemos lidar tão bem com essa situação como deveríamos,

Oselame cobrou cautela da opinião pública na hora de julgar o clube e lembrou que "a infeliz voz que supostamente gritou palavras de ofensas ao árbitro não é a voz da nossa torcida, do nosso clube", defendendo também a cidade de Bento Gonçalves, polo turístico da Serra Gaúcha.

"Desde que comecei a frequentar os corredores desse Clube sonhei vê-lo nas páginas e veículos de mídia do país por suas glórias, e muito me entristece vê-lo nessas tão sonhadas páginas por uma noticia lamentável como essa que se quer tem relação direta com a instituição", lamentou ele.

O presidente do Esportivo também negou que seu clube contestasse a versão do árbitro. "O Esportivo, toda sua direção, comissão técnica, equipe e funcionários repudiam qualquer forma de racismo… repito, repudiamos qualquer forma de racismo!"

DENÚNCIA - O árbitro reclama que foi chamado de macaco por torcedores e que teve seu carro depredado no estacionamento que fica dentro de área restrita no estádio do clube. Em fotos, mostrou que havia bananas sobre o veículo.

"Infelizmente está voltando à tona esse tipo de atitude por parte de alguns infelizes torcedores. Não foi total da torcida do Esportivo. Alguns torcedores que se manifestaram de forma racista desde o início do jogo. Falaram "Macaco", "Seu lugar é na selva", "Volta para o circo", coisas desse tipo", contou o árbitro, quinta, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Segundo Márcio, ele comunicou ao policiamento presente ao estádio que se as ofensas não cessassem, iria parar o jogo. "Quando relatei houve uma fúria total por parte de alguns torcedores", afirmou. Segundo ele, não houve qualquer lance controverso que tenha causado reclamações de qualquer um dos dois times envolvidos. "Houve sim essa atitude direcionada contra mim."

Mas o pior ainda estava por vir: "Meu carro havia sido pisoteado as portas amassadas, bananas por cima do carro, todo arranhado. E o estacionamento é privativo do clube. Só têm acesso os funcionários do clube e a arbitragem. Tem um portão que é trancafiado e foi aberto", reclamou ele.

Ainda de acordo com o árbitro, os atletas do Esportivo, que ganhou o jogo, saíram do refeitório, conversaram com ele e relataram que "esse tipo de atitude é meio que comum quando a equipe está em má fase".

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