Cães são abandonados em casa do bairro Cruzeiro

O dono da casa e dos animais teria viajado de férias e deixado os animais abandonados sem água ou comida

iG Minas Gerais | PEDRO VAZ PEREZ |

A pichação no muro cinza da casa 155, da rua Emílio de Vasconcelos Costa, no bairro Cruzeiro, região Centro-Sul da capital, resume a polêmica que tem ocupado os moradores do local. Em grandes letras maiúsculas, lê-se “pelo direito dos animais”. De acordo com vizinhos, há oito dias três cachorros estão abandonados na casa em condições precárias de abrigo e alimentação.

Durante visita da Polícia Civil, na manhã desta sexta-feira (7), cerca de dez vizinhos foram à porta da residência acompanhar as investigações. Muito alterado, o vizinho Daniel Rei, 31, relata a situação. “Mais de uma semana de ininterruptos choros e latidos de desespero. Não dá para ninguém fingir que não está ouvindo”. Em seguida, pegou em casa um saco de ração e começou a jogar o alimento debaixo de uma greta no portão. A comida foi bastante disputada pelos animais. “Isso é comportamento de cachorros bem alimentados?”, questionou Daniel. Ele repetiu a ação ao menos cinco vezes.

Abandonada

A casa, localizada em bairro nobre, apresenta ares de abandono. Segundo os vizinhos, ninguém mora lá e o proprietário a utiliza apenas como depósito. Os azulejos da fachada estão bem degradados e ao menos um terço já caiu. As janelas, enferrujadas, exibem cortinas rasgadas. O mal cheiro pode ser sentido da calçada. O pátio interno, visto pela casa de vizinhos, está cheio de lixo e fezes. De acordo com moradores, a casa pertenceria ao ortopedista Reginaldo Simões da Rocha. Funcionários de seu consultório informaram que ele está em viagem de férias e só retornará dia 13.

“Muito de vez em quando vemos um casal mais velho, às vezes com os filhos, passarem por aqui. Jogam uma água no local e deixam luzes acesas para despistar”, conta Constança Rebelo, 48, que se mudou para o apartamento em frente há oito meses. “Desde que mudei vejo a casa largada”, completa. Constança relata que, assim como outros vizinhos, tem o hábito de jogar ração e água na casa com auxilio de potes e sacos.

Já a vizinha Maria do Carmo Teixeira, 63, diz que o problema é ainda maior. “Vemos muitos ratos saindo da casa há vários meses”. Outros moradores também relatam pulgas e carrapatos e temem por doenças como dengue e leishmaniose. “O vizinho do lado já reclamou com o dono sobre esses problemas, mas ele dá de ombros e não resolve nada”, afirma Daniel Rei, que pensa em entrar com ação judicial contra o proprietário por perturbação da ordem.

Crime

De acordo com o delegado Aloisio Fagundes, da delegacia de Crimes Contra a Fauna da Polícia Civil, a hipótese é de estar havendo crime de maus tratos. “Já colhemos depoimentos e fizemos registros. Vamos realizar a análise técnica e, se for o caso, pedir um mandato de busca e apreensão para podermos encaminhar os cães para a zoonoses”. A confirmação do delito, segundo o delegado, pode acontecer a partir de evidências como falta de alimentação e hidratação e condições precárias de abrigo. Como é um crime de menor potencial ofensivo, o proprietário poderá ser multado ou cumprir penas alternativas.  

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