Pai e filho são presos por assassinato de cabeleireiro no Cachoeirinha

A briga começou por causa de um lote abandonado que a vítima queria usar para abrir um negócio de lanches; a ideia irritou os vizinhos e ele acabou sendo assassinado com quatro tiros

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais
Apresentacao do pai Jose Eustaquio da Silva e do seu filho Marcellus Manolo Oliveira, no DI.


Foto: Uarlen Valerio / O Tempo 07.03.2014
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte - Minas Gerais Apresentacao do pai Jose Eustaquio da Silva e do seu filho Marcellus Manolo Oliveira, no DI. Foto: Uarlen Valerio / O Tempo 07.03.2014

Foram apresentados na manhã desta sexta-feira (7), pai e filho suspeitos de assassinar um homem no ano passado. A vítima era irmão de um delegado e foi assassinado por Marcellus Manolos Oliveira e Silva, 23, o Pisca, a mando do pai dele, José Eustáquio da Silva, 66, por causa da briga por um pequeno terreno pertencente a prefeitura no bairro Cachoeirinha, região Nordeste da capital. Eles foram presos mais de um ano depois do crime, no dia 25 de fevereiro deste ano.

Segundo o delegado Delmes Rodrigues, que está a frente das investigações, tudo começou por causa de um pequeno lote vago localizado na avenida Antônio Carlos, no bairro Cachoeirinha. Como estava abandonado, o cabeleireiro João Martins de Abreu, 38, conhecido como Joãozinho, decidiu montar um negócio de lanches no terreno, o que deixou o vizinho da frente José Eustáquio muito irritado.

As discussões começaram quando Joãozinho começou a fazer os reparos necessários no lote para a realização do empreendimento. José Eustáquio brigava frequentemente com ele dizendo que ele não ia montar nada ali, que ninguém iria mexer naquela terra e ainda que se Joãozinho não abandonasse o projeto ele iria matá-lo. A briga começou em setembro de 2012 e foi até janeiro de 2013, quando a promessa foi cumprida.

Na noite do dia 27 de janeiro do ano passado, Joãozinho estava no terreno mexendo nas obras. O filho de José Eustáquio, Marcellus, foi ao local na companhia de Thiago Mathias dos Santos, que dirigia o veículo, e disparou quatro vezes contra a vítima, a mando do pai. Apesar de vítimas e suspeitos morarem em casas muito próximas, Marcellus preferiu ir de carro ao local para não levantar suspeitas.

Uma viatura policial passava pelo local no momento do crime e os militares escutaram os disparos. Eles acabaram prendendo quatro menores que estavam correndo, assustados com os tiros, mas que na verdade, eram testemunhas. Pouco depois ficou esclarecido que eles não tinham envolvimento com o crime e na verdade estava auxiliando a vítima na obra.

O mandado de prisão para Thiago Matias, o motorista, já foi pedida e o inquérito com o indiciamento dos três suspeitos já foi concluído.

"Tirando onda"

Após o crime, em março, José Eustáquio e Marcellus chegaram a ser presos mas ficaram apenas 30 dias detidos. É que na época não foi possível comprovar o envolvimento deles no assassinato de Joãozinho, e eles foram liberados. Após isso, eles começaram a "tirar onda" no bairro, dizendo que nunca seriam presos. Chegaram a cogitar fazer uma tatuagem de palhaço, que segundo o delegado Delmes Rodrigues, no crime, significa ter matado alguém importante, já que a vítima era irmão de uma delegada. Ela, inclusive, chegou a ser ameaçada por José Eustáquio, certa ocasião, quando ela passou de carro e ele fez o sinal de uma arma apontada em direção a ela.

Os suspeitos foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, sendo por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave