Da Suíça para o Nordeste

Fiat Chrysler confirma, no Salão de Genebra, fabricação de jipinho em Pernambuco; mostra traz muitas outras novidades

iG Minas Gerais | Raphael Panaro |

Jeep Renegade
Newspress/Divulgação
Jeep Renegade

Os grandes salões internacionais formam uma espécie de Grand Slam do automóvel. E, como nos torneios de tênis, cada um deles valoriza determinada área de excelência. O Salão de Detroit seria o Australian Open: é o que inicia os trabalhos a cada ano. O Salão de Tóquio é como o US Open, menos tradicional. O charme da dobradinha Paris/Frankfurt seria, analogamente, o Torneio de Roland Garros, que é o de maior repercussão. Já a grama sagrada de Wimbledon, na Inglaterra, é comparável ao Salão de Genebra: são antigos e fleumáticos.

O motor show suíço, que vai até o dia 14 de março, está em sua 84º edição. Desde 1930, a cidade europeia se torna palco de um embate em campo neutro entre modelos europeus. Por isso, fabricantes alemães, italianos, franceses e ingleses escolhem o evento para apresentar alguns de seus veículos mais importantes.

E, de todas as novidades apresentadas, a mais importante para o nosso mercado veio da Fiat Chrysler, que admitiu no Salão de Genebra que o Jeep Renegade será o primeiro modelo a ser produzido na fábrica que a Fiat já ergue em Goiana, Pernambuco. O SUV compacto chegará ao mercado nacional em 2015 e usa a mesma plataforma dos modelos 500L, 500X – ainda inédito – e Punto europeu, da Fiat.

O modelo traz algumas novas soluções mecânicas, como o Jeep Active Drive Low. O sistema funciona como se fosse uma tração reduzida e será de série. O modelo também terá uma versão com câmbio de nove marchas. Serão 16 combinações de propulsores e transmissões para atender todos os mercados – no total, o carro vai para mais de cem países.

O modelo de entrada da Jeep vai enfrentar, no Brasil, Ford EcoSport, Renault Duster e Chevrolet Tracker. Com 4,23 m de comprimento, 1,69 m de largura, 2,57 m de entre-eixos e porta-malas de 350 l, o Renegade será produzido inicialmente na Itália.

Outro modelo apresentado na mostra suíça que estará em breve nas ruas brasileiras é a reestilização da terceira geração do Focus, lançada no ano passado no Brasil. Com a nova identidade visual da marca, o hatch médio se alinha ao restante da linha. O face-lift é esperado para chegar ao modelo brasileiro no ano que vem.

Variedade

As marcas premium alemãs também se destacaram no Salão de Genebra deste ano. A Mercedes levou o Classe S Coupé. O modelo é a grande vitrine tecnológica e de estilo da marca alemã, então ela buscou os detalhes para diferenciar o modelo dos demais da gama. Caso dos 47 cristais Swarovski aplicados em cada conjunto óptico. Entre os novos equipamentos do Classe S Coupé há uma suspensão a ar inteligente, que usa radares e câmaras para “ler” o piso. A partir dessa leitura, o computador define o melhor acerto de suspensão possível.

A BMW quebrou na Suíça uma antiga tradição: apresentou seu primeiro modelo com tração dianteira. A duvidosa honra coube ao Série 2 Active Tourer. Mas, além disso, ainda faz a marca ingressar em um segmento desprovido de qualquer charme: o de minivans. O design segue basicamente o conceito Active Tourer, mostrado no Salão de Paris de 2012. Um dos rivais é o desajeitado compatriota Mercedes-Benz Classe B. Entre as motorizações, três opções: 1,5 l, de três cilindros, com 136 cv – também usado no Mini –, 2,0 l de 170 cv e 2.0 diesel com 150 cv.

Fechando, a novidade da Audi foi a terceira geração do TT. O modelo ganhou nova plataforma, ficou mais leve e, agora, entrega mais potência. Ele adotou a plataforma modular MQB – mesma do A3 – e manteve várias partes em alumínio. No final, o peso caiu 50 kg. O design é uma evolução do antecessor e ganham destaque o novo arranjo dos faróis de LED e a grande grade dianteira. Por dentro, a novidade é o painel de instrumentos concentrado em uma generosa tela de LCD de 12,3 polegadas. Os motores foram retrabalhados e o 1.8 turbodiesel tem agora 184 cv e o 2.0 turbo, 230 cv – antes tinham 160 cv e 211 cv, respectivamente. O propulsor 2.0 TFSi da “nervosa” TTS passa a entregar 310 cv – eram 272 cv.

O Grupo Fiat Chrysler também foi uma das grandes atrações. Os holofotes se voltaram para a Alfa Romeo, que tratou de levar uma versão conversível do esportivo 4C. Sergio Marchionne, presidente do grupo, ainda deu a entender que a tradicional marca italiana está perto de voltar a ser comercializada no Brasil.

Superesportivos

Já a Ferrari exibiu a nova California T, que marca o retorno de motor turbo nos carros da marca italiana. Já a compatriota Lamborghini espera repetir com o Huracán LP610-4 o sucesso comercial do Gallardo, que teve 14 mil unidades vendidas. A também italiana Maserati levou para Genebra o Alfieri Concept. O protótipo homenageia um dos fundadores e os 100 anos de existência da fabricante dos irmãos Maserati. O conceito é uma prévia da identidade visual dos futuros carros da marca do tridente. No lado inglês, a McLaren fundiu os conceitos de seus dois carros – MP4-12C e P1 – para criar o 650S, um modelo intermediário que já chega nas versões cupê e conversível.

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