História e a arte consciente da jovem Cristina Braga

Aos 32 anos, a arte-educadora fala sobre questões polêmicas como a legalização do aborto e das drogas e ainda critica o atual cenário político de Contagem

iG Minas Gerais |

Nascida em Belo Horizonte, ela veio para Contagem quando ainda tinha cinco anos e, atualmente, mora no bairro Santa Cruz Industrial. Cristina Braga é arte-educadora, tem 32 anos, dois irmãos, e apesar da pouca idade, muita história para contar. Dentre elas está o projeto Mulatão – que consiste em um Fusca que colhe e leva histórias pelas feiras locais da região onde, aos poucos, foi pintado ao vivo. “Nós trocávamos rapadura com café por uma história, prosa ou causo dos transeuntes. Enquanto isso, Luiz Gonzaga tocava no som adaptado ao capô e um casal de dançarinos ensinava forró e baião aos curiosos que se ajuntavam ao redor do Fusca. O resultado foi um vídeo que enviamos para o museu de Luiz Gonzaga, em Pernambuco”, conta. Cristina é formada em artes plásticas pela Escola Guignard (UEMG), Especializada em arte-educação e cursou gestão e desenvolvimento de projetos sócio-culturais pela Fundação Clóvis Salgado. “Atualmente pesquiso arte acessível e sou curiosa da pedagogia Waldorf no que tange ao ensino nas comunidades de baixa renda, vulnerabilidade social e pessoas com deficiência”, diz. Além da veia artística, Cristina também é uma jovem atenta às causas e aos movimentos sociais e acredita que o mundo precisa, principalmente, de “amor universal e incondicional” e se denomina ativista da causa humana. “Minha luta é por relações humanas de respeito e transformação”, garante. Porém, quando o assunto são as recentes manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas do país, ela é categórica. “Vejo uma teia de relações e interesse nisso tudo que não é novo para nosso contexto histórico brasileiro. Existe algo muito interessante nisso tudo que é o poder de voz legitimado pelas redes sociais. Vivemos uma geração que opina sobre os conteúdos, em maioria gerados por ela própria, ao contrário do que se via há um tempo, quando a única voz era midiática, com predominância da televisiva sobre as demais”, analisa. Porém, aos olhos dela, nem tudo é o que parece. “Por outro lado, existe uma lacuna nos movimentos como um todo, que é pedagógica. Os grupos mais engajados e lindamente envolvidos com as causas e reivindicações ainda estão, de maneira geral, distantes das estratégias de formação dessa massa que acompanha tudo pelas redes e que, por ausência de compreensão e informações bem-sustentadas, acabam por nadar a favor da maré. E isso é perigoso. Como resultado temos mais uma vez ‘o povão’ caindo na arapuca e sendo usado como massa de manobra para a mesma elite ideológica dominante desde o coronelismo", destaca. Politicamente incorreto Quando o assunto é política, Cristina tem muito o que dizer, mas, acima de tudo, crê que sempre haverá o que melhorar, renovar e reconstruir num país como o Brasil. “Sobre as eleições deste ano tenho me sentido como no ditado: ‘se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’, mas quanto a Dilma, mil vezes ela a um tucano”, destaca. Sobre o atual governo de Contagem, ela reforça o coro dos descontentes. “Penso que Contagem tem gestores políticos que ainda que têm muito o que estudar, evoluir e amadurecer humanamente, socialmente e eticamente. Aliás, como todas, mas aqui as coisas ainda caminham pela contramão da contemporaneidade, de maneira, infelizmente, estúpida. Numa cidade com dois centros industriais, incrivelmente poluída, o mínimo de inteligência conduziria a ações de sustentabilidade ambiental. A construção de espaços públicos verdes, hortas urbanas. Quanto à cultura, o Festival Abobrinhas responde por mim – sem mencionar o descaso com o artista local, com a cultura local”, desabafa. Polêmica Em tempos tão modernos, [/NORMAL]assuntos como legalização do aborto e das drogas fazem parte das discussões sociais diárias. Cristina acredita que proibir não faz com que a prática deixe de existir. “O mercado existe e as ações precisam ser legisladas para que se garanta a saúde da mulher. Além disso, é a garantia de um direito da mulher de escolher e cuidar do próprio corpo”, assinala. Em relação à legalização das drogas, ela é enfática quando afirma que uma atitude precisa ser tomada. “Sabemos que existem interesses muito maiores no mercado ilegal, mas as drogas não deixam de ser consumidas por serem proibidas. O mercado existe, precisa ser normatizado”, ressalta.

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