Carlaile não dá sequência a ações de austeridade

Economia com plano chegaria a R$ 220 milhões

iG Minas Gerais | Da redação |

Duas semanas após o retorno do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), que interrompeu uma licença médica que deveria ser de 60 dias, grande parte das medidas de austeridade que o seu vice, Waldir Teixeira (PV), havia adotado ou estava conduzindo foi deixada de lado.

As medidas em curso promoveriam R$ 220 milhões de economia até 2016, porém, apenas as contenções de gastos aprovadas pela Câmara estão garantidas. Isso corresponde a pouco mais de 10% do plano elaborado pelo prefeito em exercício.

Apesar das declarações de Carlaile, que disse que cumpriria as medidas iniciadas por Waldir, as revisões em contratos com empreiteiras, principal fonte de desperdício, ainda não foram postas em prática.

Como informa o vice-prefeito, somente com a Planex Consultoria, a prefeitura poderia economizar R$ 39 milhões. Já com a Engesolo, contrato que era abrigado pelo extinto Ippub, poderia ser economizado outros R$ 25 milhões.

A prefeitura também mantém inalterado o processo de permuta de um terreno com a Embraurb. Segundo Teixeira, caso essa “operação” fosse desfeita, Betim garantiria um patrimônio de R$ 37,4 milhões, dinheiro que serviria para abater parte da dívida que o município possui com o Instituto de Previdência Municipal de Betim (Ipremb), que hoje ultrapassa os R$ 300 milhões e gera quase R$ 4 milhões em juros e correções monetárias.

Fração

Até agora, apenas R$ 29 milhões dos R$ 220 milhões planejados serão economizados em três anos. Isso se nenhum projeto aumentando vencimentos ou criando mais cargos for encaminhado para aprovação dos vereadores.

A Câmara, apesar de ter aprovado a diminuição do salário de prefeito para R$ 15.800 em janeiro, ainda não apreciou o projeto de lei que estabelece o teto salarial para os apostilados. Sem essa votação, a medida tomada por Waldir, que geraria R$ 5,4 milhões de economia na folha de pagamento, está ameaçada.

Também estão paralisadas as iniciativas de resgatar contrapartidas sociais devidas por grandes empreendimentos, como a construção de duas creches para liberação do Parque Torino, condomínio empresarial que está sendo construído às margens da 381. “Mapeamos essas contrapartidas como forma de diminuir o déficit da educação infantil, que deixa mais de 22.000 crianças de Betim, com até 5 anos, sem cuidados adequados”, lamentou Waldir Teixeira.

Já o coordenador do programa “Cidade Limpa”, Ronievon Fonseca, o Neguinho, teve a sua nomeação anulada por Carlaile, deixando inoperante a limpeza da cidade, que já vinha dando resultados, mesmo custando 30% a menos.

Dificuldade

Carlaile Pedrosa, apesar de reassumir o posto, ainda não voltou à rotina nem está frequentando o gabinete do prefeito com a regularidade que o cargo exige. Seguindo prescrição médica, ele se mantém recolhido em seu sítio, na zona rural de Betim, sendo visto apenas na visita da presidente Dilma Rousseff e por duas vezes no evento religioso Rebanhão do Senhor.

Ainda enfraquecido pela cirurgia cardíaca e com dificuldades para caminhar, devido a fortes dores no joelho, o prefeito optou por despachar em casa, onde recebe os secretários mais íntimos e se aconselha com os irmãos Ciro, Cleide e Cleanto, este último ocupou cargo de secretário na gestão da petista MDC.

A relação com Waldir Teixeira, até agora, é inexistente. O vice reclamou que não está havendo diálogo, apesar de ter tomado todas as medidas de acordo com orientações de Carlaile. “Antes de sair, ele me deu carta branca. Tudo o que fizemos, apesar de contrariar alguns aliados, era inadiável, devido à situação econômica da prefeitura. A gestão pública deve primeiro beneficiar a população. Doa a quem doer”, disse.

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