Sarkozy promete processo a quem divulgar gravações

Ex-presidente pode ter reuniões com ex-conselheiro divulgadas

iG Minas Gerais |

Sigilo. Sem poder tomar notas em reuniões com Nicolas Sarkozy, conselheiro decidiu fazer gravações
MICHEL EULER
Sigilo. Sem poder tomar notas em reuniões com Nicolas Sarkozy, conselheiro decidiu fazer gravações

Paris, França. O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e sua esposa, Carla Bruni, levarão aos tribunais quem divulgar conversas gravadas por um ex-conselheiro do ex-chefe de Estado, anunciaram os advogados do casal. Os dois apresentarão em breve uma demanda em caráter de urgência ao tribunal de grande instância de Paris.

Sarkozy e sua esposa “não podem aceitar que essas declarações, feitas na intimidade, tenham sido gravadas e divulgadas sem seu consentimento. A proteção do sigilo das conversas privadas é uma das bases de uma sociedade democrática”, afirmam Thierry Herzog e Richard Malka em um comunicado.

Dois meios de comunicação franceses publicaram nessa quarta que Patrick Buisson, conselheiro de Nicolas Sarkozy, gravava sem o conhecimento deste as reuniões com o ex-chefe de Estado francês.

Gravações. As gravações feitas em segredo por Buisson foram postadas no site conservador Atlantico. Nelas, Sarkozy pode ser ouvido discutindo estratégia eleitoral, uma reformulação de gabinete e sua imagem pública na corrida presidencial de 2012, a qual ele perdeu.

Mais intrigante do que incriminatórias, as horas de gravações divulgadas podem prejudicar suas chances de retornar ao cenário político a tempo de concorrer para as eleições presidenciais em 2017. Buisson, ex-editor de uma revista de extrema direita e responsável pela guinada à direita durante a campanha de Sarkozy em 2012, disse que fez as fitas como registro histórico e porque não podia tomar notas escritas durante as reuniões, disse seu advogado Gilles-William Goldnadel.

Trechos escritos foram publicados nesta quinta no jornal satírico semanal “Canard Enchaine”, mas já havia rumores sobre a existência das gravações desde meados de fevereiro. “O grande perigo para Nicolas Sarkozy é o próprio Patrick Buisson, porque ele possui dezenas e dezenas de horas de gravações (de Sarkozy)”, disse à rede BFMTV Jean-Sebastien Ferjoua, chefe do site Atlantico.

O cientista político Thomas Guenole disse à agência Reuters que o escândalo não tem precedentes. “É um Watergate em sentido inverso com um conselheiro gravando um presidente em segredo – gravações essas que podem causar prejuízos (a Sarkozy)”, disse Guenole.

Mistério

Autor das gravações. Após a repercussão do caso, o ex-conselheiro de Sarkozy Patrick Buisson reconheceu ser o autor das gravações, mas insistiu que não é o responsável pela divulgação.

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