Cartão postal do país é puro lixo a três meses da Copa

Escolta garante trabalho dos que não aderiram

iG Minas Gerais |

Impasse. Lixo acumulado na Lapa por causa da greve dos garis, que decidiram manter paralisação
ALE SILVA/FUTURA PRESS/estadão
Impasse. Lixo acumulado na Lapa por causa da greve dos garis, que decidiram manter paralisação

RIO DE JANEIRO. A menos de cem dias da Copa do Mundo no Brasil, a imagem do principal cartão postal do Brasil eram praias e ruas tomadas pelo lixo. Equipes da Tropa de Choque da Polícia Militar, de guardas municipais e de uma empresa de segurança privada realizavam desde a madrugada dessa quinta a escolta de garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) que não aderiram à greve e tentavam amenizar a sujeira que tomou as principais ruas do Centro e da zona sul da cidade. A paralisação foi deflagrada no último sábado, 1º.

A escolta foi feita a pedido da Prefeitura do Rio, após o surgimento de várias denúncias de ameaças e agressões contra os profissionais que não aderiram ao movimento. Após vários dias secos, a chuva fina que caiu nessa quinta no Rio piorou ainda mais a situação.

Além disso, a greve dos garis pode prejudicar o retorno às aulas nas escolas da rede municipal, previsto para segunda-feira. Isso porque os agentes de preparação de alimentos (conhecidos como APAs) são funcionários da Comlurb, e muitos deles aderiram à paralisação dos garis. Na manhã dessa quinta, cerca de 400 funcionários da Comlurb, entre garis e APAs, participaram de uma assembleia em frente à sede da empresa, na Tijuca, zona Norte, e decidiram manter a greve. “Somos nós, APAs, quem preparamos a merenda dos alunos. E sem merenda, não tem aula”, disse Leonardo Mendes, 28, um dos agentes de preparo de alimentos que aderiu à greve.

A rede educacional da Prefeitura do Rio possui cerca de 1.500 escolas e creches, atende cerca de 675 mil alunos. Questionada se há um plano para evitar que a paralisação afete o retorno às aulas, a Secretaria Municipal de Educação não havia se manifestado até a tarde dessa quinta. Já a Comlurb informou que ainda não tem como saber quantos APAs aderiram à greve porque eles estão de férias e só retornarão ao trabalho na segunda-feira, 10.

Por volta das 10h dessa quinta, uma viatura do Batalhão de Choque, com quatro PMs fortemente armados, fazia a segurança de 20 garis que retiravam as montanhas de lixo acumuladas na Avenida Presidente Vargas, nas proximidades do Sambódromo. Os garis utilizavam uma retroescavadeira e um caminhão basculante.

“Nesse ritmo, vamos precisar de cinco dias para deixar tudo normal”, contou um gari que não quis se identificar. No mesmo horário, mas em outro ponto do Centro, na Rua Frei Caneca, guardas municipais faziam a segurança de garis que limpavam a via.

Promessa

Sujeira. O presidente da Comlurb, Vinícius Roriz, afirmou nessa quinta que as ruas do Rio estarão limpas em dois dias. Segundo ele, 150 garis concursados em dezembro serão convocados.

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