‘Água para diminuir a fervura’

Presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, diz que vai “negociar até o limite” para acabar com crise

iG Minas Gerais |

Bombeiro. Valdir Raupp admite antecipar convenção, mas já adianta que ela não decidirá nada
Pedro França
Bombeiro. Valdir Raupp admite antecipar convenção, mas já adianta que ela não decidirá nada

Brasília. Presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO) afirmou nessa quinta que vai tentar “negociar até o limite” para acabar com a crise entre PT e lideranças do PMDB, deflagrada durante o Carnaval. Com críticas a lideranças petistas que acusaram peemedebistas de “chantagem”, de olho em cargos no primeiro escalão do governo, Raupp disse que os dois partidos precisam “discutir a relação”.  

“Todo casamento chega a um ponto em que precisa discutir a relação. O que falta é ter um pouco mais de diálogo. Chantagem é um termo muito forte. Só pode ter partido de um desavisado que chegou atropelando com essa comparação. Em política existem pressões, tensões e conflitos. Mas colocar mais lenha na fogueira nesse momento não vai diminuir as chamas. Temos é que colocar muita água para diminuir a fervura”, afirmou.

O presidente do PMDB não descarta antecipar a convenção nacional do partido para abril, quando seria rediscutida a aliança nacional da sigla com o PT. Várias alas peemedebistas defendem que a convenção ocorra em abril, e não em junho, diante da troca de farpas entre as duas legendas.

Raupp lembrou que há outras instâncias da sigla que podem ser convocadas, como o conselho político, mas disse que cabe à convenção definir os rumos do PMDB. “Seria uma convenção extraordinária, porque ela não teria força de lei. As decisões só podem sair depois de junho. Neste momento, o maior problema são as alianças regionais”, afirmou.

A crise PT-PMDB começou há algumas semanas, depois que a bancada do PMDB da Câmara desistiu de indicar nomes para a reforma ministerial da presidente Dilma Rousseff. A decisão foi em represália à disposição de Dilma de retirar uma das pastas controladas pelos deputados peemedebistas – que hoje são os Ministérios da Agricultura e do Turismo.

Ao mesmo tempo, Dilma irritou os senadores do PMDB ao retardar a escolha do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) para um de seus ministérios. A petista acabou indicando Vital para o Turismo, que é da cota da Câmara, em um gesto que desagradou as bancadas.

Aliado do governo, o senador Gim Argello (PTB-DF) também reclamou da condução do governo na reforma ministerial. O senador disse que o “sinal vermelho” chegou ao Palácio do Planalto. Assim como o PMDB, o PTB espera ampliar espaço no primeiro escalão do governo.

“Uma reforma que deveria ser simples durou seis meses. Quantas reformas já passaram e não duraram? Está errado, está na hora de acabar com isso, porque senão começam a se consolidar posições adversas”, disse.

Tréplica

Fim? Depois de avisar o Planalto que responderia a Eduardo Cunha, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que não entraria na disputa de “xingamentos” e que ele precisa decidir se é “oposição ou situação”.

PPS pede afastamento de ministro

Brasília. O PPS protocolou nessa quinta na Comissão de Ética Pública da Presidência da República representação contra o ministro do Trabalho (MTB), Manoel Dias. A sigla pede o afastamento de Dias em função de investigação conduzida pela Polícia Federal. Segundo reportagem publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, a PF concluiu inquérito sobre supostos desvios de recursos do MTb e pediu a abertura de investigação sobre Dias, no Supremo Tribunal Federal. Relatório concluído pela PF aponta que há indícios da participação de Dias em esquema para empregar militantes do PDT como funcionários da ADRVale, entidade que firmou convênios com o ministério e recebeu R$ 11 milhões.

Soldado Função. Ex-ministra da Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) incorporou o papel de principal advogada de defesa do governo desde que reassumiu sua cadeira no Senado, há um mês.Com discursos atacando a oposição e postura mais aguerrida, Gleisi é chamada de “soldado do Planalto”. Atrapalha. Na prática, Gleisi passou a adotar postura de líder do governo no Senado – posto oficialmente ocupado pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM). O PMDB acredita que ela “esvaziou” as funções de Braga, o que causa insatisfação entre os peemedebistas.

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