Risco de apagão dobra, e só águas de março podem salvar

Nível dos reservatórios está perto do registrado em 2001, ano do intenso racionamento no Brasil

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Crítico.
 

Sistema Cantareira, em São Paulo, está só com 16% de sua capacidade e preocupa governo
Crítico. Sistema Cantareira, em São Paulo, está só com 16% de sua capacidade e preocupa governo

O risco de o Brasil ter que fazer um racionamento para reduzir em 5% o consumo de energia dobrou no último mês. Em fevereiro, a possibilidade de adoção da medida drástica era de 6%, mas, depois de um mês muito mais seco do que o normal e do esvaziamento dos reservatórios, o percentual deve subir para algo entre 10% e 15%. “Ainda estamos refazendo os estudos, mas o risco dobrou”, diz o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Eduardo Rego.

Da mesma forma, a possibilidade de ocorrer “apaguinhos” – pequenos blecautes em regiões do país – subiu de 20% para 40%. O nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, os maiores e mais importantes do país, fechou o mês de fevereiro em 34,6%, o mais baixo desde 2001, quando ocorreu o racionamento. Naquele ano, os reservatórios chegaram a fevereiro com 33,45% de armazenamento. Os dados são do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

As perspectivas para março não são otimistas. As chuvas continuam fracas e insuficientes para elevar os níveis dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país. Segundo o ONS, os reservatórios das usinas das regiões Sudeste/Centro-Oeste devem receber, durante o mês de março, uma quantidade de água equivalente a 67% da média histórica.

Embora baixo, o percentual representa uma melhoria em relação ao verificado nos meses de janeiro e fevereiro, quando as chuvas ficaram em 54% e 39%, respectivamente, da média histórica. O índice de fevereiro é o segundo pior para o mês em 84 anos, e o de janeiro foi o terceiro pior. O período de chuvas termina em meados de abril. (Com agências)

Informações

Carta. O Fórum das Associações do Setor Elétrico Brasileiro (Fase) prepara um documento para ser enviado ao Ministério de Minas e Energia pedindo informações sobre o real risco de racionamento.

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