O agriturismo italiano

iG Minas Gerais |

Hélvio
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A perspectiva do turista muda consideravelmente conforme o meio de transporte que utiliza. A praticidade do avião prepondera se o tempo de viagem é reduzido. A escolha do trem, quase inviável no Brasil, costuma ser boa alternativa na Europa, quando o destino está pré-definido. Digamos, por exemplo, que se queira visitar Veneza, depois Florença e em seguida Roma. Tratam-se de cidades onde o carro é um estorvo ou uma impossibilidade. Nesse caso, um AVE espanhol ou um Frecciarossa italiano dá conta do recado, a 200 quilômetros por hora. Depois você se vira, na área urbana, a pé, de barco, metrô, ou na pior das hipóteses, ônibus. Por outro lado, se o desejo é explorar o interior do país, apreciar a paisagem sem pressa, no seu ritmo, parando aqui e ali nas pequenas vilas, livremente, a locação de um automóvel é a melhor escolha. Claro que o domínio da língua facilita as coisas, mas a linguagem universal do trânsito, o GPS e os mapas rodoviários podem, até certo ponto, substituir o velho e bom pedido de informação ao cidadão local. Lugares como Áquila, Volterra, San Gimignano ou a Costiera Amalfitana, como um todo (Ravello, Positano, Amalfi, Maiore, Vietri sul Mare, Sorrento, etc), demandam um carro para que se possa conhecê-los em uma ou duas semanas, apenas. De outra maneira, seria penoso o carregamento de bagagens entre estação e hotel, sem falar no rigor com os horários de partida, a definição prévia dos hotéis e a reserva de diárias. A mim agradam mais a surpresa e o improviso, como chegar de noitinha em um burgo medieval inesperado, ou optar por agriturismo acolhedor, uma horinha antes de chegar na cidade imaginada como destino. Foi o que sucedeu conosco, a meio caminho entre Nocera e Ravello. Sem querer procurar hotel em Nápoles, cidade grande e tumultuada, preferimos seguir de uma vez para a Costiera Amalfitana. E foi aos pés dos Monti Lattari que encontramos a Azienda Agriturística La Grotta, na pequena cidade de Corbara. O proprietário, Vincenzo Veneziano, nos recebeu regiamente e instalou-nos, por apenas cinquenta euros, devidamente negociados, claro, em uma suíte quentinha e confortável, com todos os apetrechos possíveis, inclusive chaleira e wi-fi. No seu restaurante, a clientela foi-se avolumando aos poucos. Napolitanos, sorrentinos, gente vinda de longe para apreciar a cozinha da casa, comandada pela esposa do dono. Comida deliciosa, feita com alimentos da própria fazenda de Vincenzo, como o azeite, os tomates, as abobrinhas, ou de outros produtores da região, vinculados, segundo ele, ao movimento internacional Slow Food. O preço da refeição generosa para dois, com direito a uma garrafa de um bom aglianico (a uva local, própria de terrenos vulcânicos)? Cinquenta euros. Tudo muito justo, digno e de qualidade. Certamente algo impossível de se achar em meio a latifúndios, mão de obra desqualificada ou negócios tocados sem a presença constante do dono e de sua família...

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