Itinerário “Elas” passa por exposições de mulheres artistas

Inhotim cria percurso para comemorar a data com obras sob o olhar feminino

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

O pavilhão de Adriana Varejão faz parte do caminho de “Elas”
CHARLES SILVA DUARTE
O pavilhão de Adriana Varejão faz parte do caminho de “Elas”

A luta das feministas que queimaram seus sutiãs como forma de protesto perante o machismo, clamando por direitos iguais, e que marcam o Dia Internacional da Mulher, desde a década de 1960, serão relembradas no Instituto Inhotim amanhã com a performance “Elas”.

Os visitantes do parque receberão fitinhas de prender no punho parecidas com aquelas do Senhor do Bonfim ou de Nossa Senhora Aparecida com nomes de artistas mulheres que integram o acervo dos vários anexos do Instituto. Dentre elas Adriana Varejão, Lygia Pape e Dominique Gonzalez-Foerster.

“Nossa ideia é fazer um trajeto em que as obras das artistas sejam apreciadas pelo público que venha nos visitar. Não queremos que os instrutores falem o tempo todo, mas que se estabeleça uma conversa para falar sobre essas autoras e suas obras”, explica Wellington Pedro, arte-educador responsável pelas ações com o público referentes ao acervo artístico do Inhotim.

Segundo ele, no entanto, o caráter político dos protestos feministas não aparece tão nitidamente nas obras das artistas que compõem o percurso proposto em “Elas”. “Não necessariamente é um viés feminista. A discussão é outra. As noções de manifestação política aconteceram há mais tempo. Agora, a busca é por algo diferente na construção estética dessas artistas. A ideia é focar em artistas mulheres nessa construção do feminismo”, ressalta o arte-educador.

Ao contrário do que costuma acontecer em outros campos de trabalho, as mulheres encontram seu espaço na arte contemporânea e não ficam relegadas às sombras dos artistas homens. “Hoje, posso dizer que as nossas principais artistas que se destacam dentro e fora do país são mulheres. Temos nomes como a Adriana Varejão e a Beatriz Milhares que são referências internacionais”, destaca Pedro.

Ele acredita que o traço característico que demarca os trabalhos produzidos por essas artistas é o seu viés poético. “Há um ressignificação do objeto, uma busca pela memória com esse olhar mais poético. São artistas que resgatam a memória do lugar e fazem dele outro, que existe apenas ali. Não é passado, não é presente, mas um outro lugar”, diz.

Agenda O quê. “Elas”

Quando. Amanhã, de 10 às 16h

Onde. Instituto Inhotim (rua B, 20. Brumadinho)

Quanto. R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

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