Atitudes e bebedeira do colega de quarto influenciam o aluno

Porém, não há indícios de ‘contágio’ significativo da saúde mental

iG Minas Gerais | Dra. Perri Klass |

Facebook. Joe Green foi colega de quarto do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e do brasileiro Eduardo Saverin, em Harvard
Foto: Divulgacao
Facebook. Joe Green foi colega de quarto do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e do brasileiro Eduardo Saverin, em Harvard

Nova York, EUA. Quando um filho sai de casa para fazer faculdade em outra cidade, você se preocupa com a saúde dele em geral, o estado de espírito, uso de álcool – e, enquanto paga as mensalidades, as conquistas acadêmicas. Porém, quanto tempo você dedica a pensar no colega com quem ele vai dividir o quarto ou o apartamento?  

O relacionamento entre colegas de repúblicas universitárias foi foco de pesquisa nos últimos anos. Economistas e cientistas sociais empregaram duplas de alunos formados aleatoriamente para examinar “efeitos do colega” e as formas pelas quais o comportamento estudantil pode ser forjado pela sorte da escolha. Os estudos mostram que o colega de quarto pode afetar todos os aspectos, do desempenho acadêmico ao ganho de peso do calouro.

Os hábitos em relação ao álcool também têm impacto. “No fim das contas, descobrimos que quando você fica com um colega que bebe suas notas tendem a cair”, afirmou Dan Levy, professor titular de políticas públicas em Harvard, nos Estados Unidos, e coautor de um estudo de 2008 sobre universitários e álcool.

Quando a pesquisa foi publicada originalmente, alguns pais já se preocupavam com os perigos representados pelo “contágio social” no grupo de colegas. Contudo, pesquisa mais recente forneceu uma informação surpreendente a respeito da forma pela qual os alunos são afetados pela doença mental de um colega de quarto.

Em estudo publicado no ano passado, Daniel Eisenberg, professor adjunto de gestão de saúde da Universidade do Michigan, nos EUA, que dirige um levantamento anual sobre a saúde mental dos universitários, incluindo questões ligadas aos colegas de quarto, não encontrou nenhum efeito de “contágio” significativo de saúde mental de um colega para outro; a pesquisa também contou com a participação de outros cientistas.

“Problemas de saúde mental não parecem contagiosos, por assim dizer, em grande medida entre colegas de quarto. Por exemplo, ficar com um colega com sintomas de depressão não aumenta as chances de se ter um aumento de seus sintomas”.

Outro estudo de 2013 constatou que as bebedeiras eram o único risco “contagiante” em termos de comportamento; os outros itens examinados pelos pesquisadores, tais como fumar, apostar em jogos de azar e sexo com vários parceiros, não foram afetados pelos hábitos do colega de quarto.

Ajuda. Entretanto, ainda que os problemas mentais não atravessem o quarto feito mononucleose ou gripe, muitos desafios – tanto as pequenas distrações quanto os grandes problemas morais – podem ser apresentados por um colega em dificuldades.

Imagine que você é um calouro universitário vivendo em um espaço relativamente pequeno com uma pessoa designada a você com o intuito de ampliar seus horizontes e a forjar fortes relações com os colegas ou qualquer coisa nesse sentido.

E você está começando a sentir que alguma coisa está errada com o colega. Ele parece ter parado de ir à aula ou de participar das atividades extracurriculares. O colega está perdendo muito peso e se exercitando fanaticamente. Parou de tomar os remédios que o mantinham nos trilhos na escola. Chega a cogitar que ele seja suicida.

“Não queremos que os colegas de quarto sintam que têm de lidar com isso sozinhos”, afirmou Greg Eells, diretor de Orientação Psicológica na Universidade Cornell. “O dormitório universitário não é uma ala psiquiátrica. Às vezes, a resposta adequada é ajuda profissional”.

Automutilação

Alerta. A estudiosa Janis Whitlock investiga automutilação não suicida. Como especialista de um site universitário de saúde mental, ela aconselha que alunos incentivem colegas a buscar ajuda.

Famosos que já dividiram o espaço O norte-americano Joe Green foi colega de quarto de Mark Zuckerberg e do brasileiro Eduardo Saverin em Harvard e, ao contrário de seus amigos, decidiu continuar a cursar a faculdade, em vez de largar os estudos para desenvolver o Facebook. Green ajudou Zuckerberg a desenvolver o site De acordo com o jornal “O Globo”, o ator brasileiro Cássio Reis e a modelo ucraniana Milla Jovovich dividiram um apartamento nos Estados Unidos no início de suas carreiras como modelo, e teriam se tornado grandes amigos. As modelos brasileiras Fernanda Tavares e Gisele Bündchen moraram juntas por um curto período de tempo no exterior no início de suas carreiras. O cantor norte-americano Justin Timberlake e o ator canadense Ryan Gosling moraram juntos ainda na infância, quando ambos faziam parte do programa Clube do Mickey.  

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