Diretor e atores no corpo a corpo com a realidade

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Roman Stulbach e Anna Karine Ballalai contracenam em comédia
LUÍS ROCHA MELO/DIVULGAÇÃO
Roman Stulbach e Anna Karine Ballalai contracenam em comédia

O rompimento com o marido Mickey, leva a escritora Carola Brecker (Anna Karine Ballalai), protagonista do filme “Nenhuma Fórmula Para a Contemporânea Visão de Mundo” a dar uma guinada em sua vida. Do Rio de Janeiro, ela muda-se para São Paulo, onde é contratada por Tadeusz Karkovski (Roman Stulbach) para conceber 42 peças de teatro sobre o deus Pan.

Na capital paulista, a personagem do longa-metragem do diretor Luís Rocha Melo – que estreia hoje no circuito comercial no Cine 104, junto com a produção “Eles Voltam”, de Marcelo Lordello, seguida de debate com este, Luís Rocha Melo e Anna Karinne, depois de ambas as sessões –, aceita a tarefa de proporção megalomaníaca após ser agenciada por Al Gazzarra (Alessandro Gamo), um homem ali identificado como um gângster cultural. O desafio encarado pela jovem a coloca em uma situação limite, não raramente percebida no dia a dia de quem batalha para viver de arte no país.

“A situação revela esse drama existente no Brasil e em torno do qual nós encontramos diversas picaretagens. Mas como ela (Carola Brecker) está realmente disposta a criar essas peças, a escritora vai se empenhar para contornar todas as adversidades, como uma espécie de ataque de nervos e o próprio assédio de Tadeusz Karkovski para cumprir essa tarefa hercúlea”, observa Anna Karine Ballalai.

Vivido pelo também cineasta Roman Stulbach, que morreu aos 66 anos, no dia 15 de maio de 2013, Karkovski é um diretor de teatro inclinado a excentricidades, trazendo, assim, momentos de grande humor para a obra. “Roman, em seu primeiro papel como ator, se revelou um ótimo comediante. Luís Rocha Melo inclusive já rodou outro filme com ele entre 2012 e 2013, chamado ‘Um Homem e Seu Pecado’, que está em processo de finalização”, diz a atriz, roteirista, produtora e pesquisadora. Há ainda a participação de Otoniel Serra, que atuou em “Copacana Mon Amour”, de Rogerio Sganzerla, entre outros.

Coautor do roteiro junto com a artista belo-horizontina, Luís Rocha Melo diz que a produção seguiu o argumento elaborado pelos dois, mas contou com a improvisação dos atores em diversas cenas. “Especialmente os diálogos foram sendo aprimorados nos momentos das filmagens. Isso é algo muito comum em determinados filmes que investem nessa ideia de uma ator criativo. Ele tem a liberdade de incorporar ideias que lhe surgem no momento, por exemplo em razão de algum acontecimento externo”, conta Melo.

A produção concebida com baixíssimo orçamento e sem a ajuda de financiamento via editais para ser filmada se localiza na fronteira entre o documentário e o ficcional. Quem vive cada um dos personagens, de acordo com o diretor, circula por espaços e pelas ruas da cidade, sem o artifício da construção de um set. “Nós buscamos uma espontaneidade e nos deparamos com um lema: a vida não precisa parar para filmarmos. Então, enquanto estávamos gravando o cotidiano seguia seu ritmo. Não fizemos essa coisa de um cordão de isolamento em torno do set de filmagens. Às vezes, acontecia de estarmos em um lugar e as pessoas em volta não percebiam que estávamos produzindo um filme”, ressalta o cineasta.

Agenda

O quê. Estreia do filme ““Nenhuma Fórmula Para a Contemporânea Visão de Mundo”, de Luís Rocha Melo

Quando. Hoje, às 19h

Onde. Cine 104 do Espaço CentoeQuatro (praça Ruy Barbosa, 104, centro)

Quanto. R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)

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