Expressividade arquitetônica

Lúcia Adverse abre a exposição de fotografias “Der Sturm/A Tempestade”, amanhã no Museu Inimá de Paula

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

A abstração dos espaços é fonte de inspiração para a artista
fotos Lucia adverse/reprodução
A abstração dos espaços é fonte de inspiração para a artista

Mineira de nascença, a artista Lúcia Adverse expõe pela primeira vez na capital (e no Brasil), depois de ter circulado em mostras na China e na França. “Der Sturm”, conjunto de 23 fotografias de Berlim em preto e branco em grandes dimensões fotográficas ocupa a partir de amanhã o Museu Inimá de Paula.

Ela está feliz em “voltar” para casa. “Queria muito apresentar meu trabalho aqui, não aconteceu antes por falta de oportunidade mesmo”, diz a artista. De qualquer forma seu giro pelo mundo começou aqui mesmo, depois de um trabalho com o escultor Leopoldo Martins. “Foi um livro onde eu documentava o processo dele, muito bacana. Ele gostou muito e me indicou para o galerista dele em Paris, Ricardo Chaves Fernandes, que comanda a galeria de arte contemporânea Ricardo Fernandes. A partir daí o Ricardo me convidou, em 2010, para uma mostra inaugural na galeria dele. Daí em diante comecei a participar de feiras e mostras coletivas e individuais pelo mundo”.

Lúcia é assumidamente inspirada pelo Expressionismo Alemão, grande fonte referencial das fotografias reunidas em “Der Sturm/A Tempestade”, explicitando sua preferência pelo preto & branco, pela textura das xilografias e por uma estética mais dramática. As obras são impressas em papel fine art e emolduradas segundo os padrões museológicos, e o próprio nome da série entra e homenageia sua fonte basal: vem de um periódico de arte alemã do expressionismo local, criada em 1910 e considerada a publicação mais influente do período. “Até tentei conseguir um exemplar para colocar na vitrine, junto da exposição, mas eles são encontrados apenas em museus, ou nas mãos de colecionadores, é raríssimo”, diz a artista.

Um típico exemplar artístico filiado ao movimento alemão é um dos diapasões para a mostra de Lúcia: o filme “Metrópolis”, de Fritz Lang. Ele concatena duas linhas de interesse muito presentes na obra da mineira: arquitetura e clima noir. A arquitetura vêm da própria formação de Lúcia como design de interiores. “Comecei com a fotografia a partir dessa área, de decoração. Exerci muito a profissão, participei de eventos como a ‘Casa Cor’ e sempre tive essa queda por registros arquitetônicos, mas amadoristicamente. Acabei indo para o lado mais autoral e depois que conheci o Ricardo, me desconectei de todo o lado comercial do design”, explica.

Temas. O espaço urbano é a grande inspiração temática da artista. “A arquitetura conta e guarda a história das cidades e de quem ali está. Hoje mesmo estava vendo matérias sobre o Carnaval, o vandalismo com os prédios, as pichações. Essas marcas na arquitetura são também mostras da nossa civilização”, diz.

Além de Berlim, Lúcia tem registros de Nova York e Paris – pretende reunir as séries em livro a ser lançado em 2017 ou 2018. “Pretendo ainda fazer duas cidades brasileiras: Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Basicamente são cidades que tem muita Art Deco, se comunicam de certa forma”.

Agenda

O QUÊ. Exposição “Der Sturm/A Tempestade”, de Lúcia Adverse

QUANDO. Hoje para convidados, a partir de amanhã para o público

ONDE. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1201, centro)

QUANTO. Entrada Franca

Som

O importante DJ mineiro Anderson Noise compôs uma trilha sonora especialmente para a exposição. Segundo o curador Ricardo Chaves Fernandes, trata-se de uma tendência européia que ele está implantando nos eventos sob seu comando na sua galeria, situada na capital francesa.

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