Excesso de pesadelos na infância pode indicar tendência a psicoses

Pesquisa também mostrou que pesadelos acompanhados de gritos e movimentos involuntários poderiam elevar o risco do aparecimento de doenças mentais.

iG Minas Gerais | Da Redação |

Tabela de horários fácil de fazer ajuda pais a monitorarem necessidade do filho
EDMUND D. FOUNTAIN/ST. PETERSBURG TIMES
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O excesso de pesadelos na infância pode ser um sinal precoce do surgimento de transtornos psicóticos na vida adulta, sugere uma pesquisa britânica. O estudo foi publicado na revista científica 'Sleep' e analisou dados de 6,8 mil crianças do Reino Unido até os 12 anos de idade.

Conduzida a pedido da ONG YoungMinds, a pesquisa também mostrou que pesadelos acompanhados de gritos e movimentos involuntários poderiam elevar o risco do aparecimento de doenças mentais.

Como parte da pesquisa, os pais tiveram de responder a perguntas sobre problemas de sono de seus filhos. Ao fim do levantamento, as crianças foram avaliadas quanto à frequência de experiências psicóticas, como alucinações e delírios. O estudo revelou que a maioria das crianças tinha pesadelos em algum ponto da infância. No entanto, 37% delas apresentavam ‘sonhos aflitivos’ com frequência acima da média. Uma em cada dez crianças tinha pesadelos, geralmente entre 3 e 7 anos de idade.

A equipe de cientistas da Universidade de Warwick, na Inglaterra, concluiu que o excesso de pesadelos estaria ligado a um maior risco de aparecimento de problemas de saúde.Cerca de 47 em cada 1 mil crianças sofriam alguma forma de experiência psicótica. No entanto, aqueles que apresentavam sonhos aflitivos aos 12 anos tinham 3,5 vezes mais chances de desenvolver psicoses.

O risco dobrava se a criança sofresse um distúrbio do sono conhecido como "pânico noturno", uma espécie de pesadelo potencializado, caracterizado por gritos durante a noite. Um dos pesquisadores, Dieter Wolke, afirmou que os "pesadelos são relativamente comuns, assim como os "pânicos noturnos", mas a frequência com que isso acontece pode indicar um problema mais sério".

A relação entre os distúrbios do sono e as psicoses ainda não está clara. Uma teoria é de que o bullying ou outros eventos traumáticos no início da vida podem causar ambos os sintomas. Outra hipótese diz respeito às ligações dos cérebros das crianças, uma vez que as fronteiras entre o que é real e fantasioso são menos claras.

Segundo Wolke, uma rotina regular na hora de ir para a cama e a qualidade do sono são elementos chave para reduzir o número de pesadelos. "As crianças têm de ir para cama com maior regularidade, evitar filmes que estimulem a ansiedade antes de dormir e não usar o computador durante a noite". Já os "pânicos noturnos" podem ser solucionados acordando brevemente as crianças durante a noite.

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