Política e Carnaval

iG Minas Gerais |

O Carnaval de 2014 em Belo Horizonte confirmou um movimento há muito em curso na cidade: o da retomada do espaço público. “Está igual a uma manifestação desorganizada”, disse uma jovem na última segunda-feira, enquanto descia a avenida João Pinheiro junto com mais 10 mil pessoas. E, realmente, boa parte do público presente nos cinco dias de folia na capital mineira era a mesma dos protestos de junho e julho do ano passado. Apesar de máscaras, do clima e das músicas diferentes, havia algo de comum entre os dois eventos. Havia uma vontade de intervir na cidade, de interagir com pessoas de diferentes regiões da capital, de fazer política em meio à festa. Dentro desse contexto, fez sucesso um ônibus gratuito disponibilizado pelo movimento Tarifa Zero BH para levar os foliões de um bloco para outro. A gratuidade do transporte coletivo durante o Carnaval foi reivindicada à prefeitura, mas não ocorreu. Segundo o grupo, como a frota municipal foi reduzida em razão do feriado, a iniciativa do ônibus de graça acabou também atendendo passageiros comuns. Mas nem tudo são críticas ao poder público. Diferentemente de anos anteriores, prefeitura e blocos parecem ter achado um meio-termo para a realização do Carnaval. Onde houve notificação de desfile, desvios e interdições estavam sinalizados, havia banheiros químicos e também estruturas para shows. Claro, ocorreram problemas e sempre ficará algo para ser melhorado, mas o saldo foi positivo, levando em conta o grande número de foliões e a experiência de carnavais passados. É difícil prever se esse fortalecimento do Carnaval da capital mineira e a proliferação de blocos por toda a cidade já estão consolidados e vão durar pelos próximos anos. Mas o cenário é de otimismo, pois há uma nova geração sem vergonha de assumir o amor por Belo Horizonte, mesmo ciente das limitações da capital mineira. A relação do Carnaval com a política, como tem ocorrido em outras capitais – como São Paulo, onde também houve a retomada dos blocos de rua – parece fazer muito bem para a cidade. Boa parte desses foliões vai voltar às ruas em breve, seja para criticar a gastança com a Copa do Mundo, reivindicar a construção das linhas 2 e 3 do metrô, cobrar uma capital melhor e menos desigual. Mesmo com o fim da festa, muita gente ainda vai botar o bloco na rua durante o ano todo. Eleições. Passado o Carnaval, o clima eleitoral deve se intensificar bastante no país. Na disputa presidencial, as missões de Aécio Neves (PSDB) e de Eduardo Campos (PSB), segundo e terceiro colocados nas pesquisas, respectivamente, são árduas. Eles têm pouco tempo para reverter o quadro de vitória ainda em primeiro turno da presidente Dilma Rousseff. A situação é complicada porque, daqui a três meses, o tema “eleições” volta a ficar de lado para dar lugar à Copa do Mundo. Só na segunda quinzena de julho os brasileiros devem começar a se mobilizar para a votação de outubro. Melhor para quem está na frente.

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