José Roberto Guimarães próximo de despedida do Vôlei Amil

Treinador prefere focar somente na seleção brasileira; fato de enfrentar suas jogadoras, quando defende o time de Campinas, traz incômodo permanente

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Treinador brasileiro comandou equipe nos títulos de Montreux e Alassio no começo desta temporada
CBV - DIVULGAÇÃO
Treinador brasileiro comandou equipe nos títulos de Montreux e Alassio no começo desta temporada

Depois de conciliar as funções de técnico do Vôlei Amil-SP, na Superliga feminina, e da seleção brasileira, o técnico Jose Roberto Guimarães está prestes a se despedir da vida dupla.

A partir do fim da temporada 2013/2014, ele ficará por conta da seleção, visto sua vontade de dar prioridade para uma única missão.

"Tenho que pensar na dedicação para a seleção, no estudo, em coisas que quero fazer. Acho que tem que ter uma concentração e um foco muito grandes no objetivo principal que é tentar chegar a uma final dentro do meu país. E, para isso, sei que preciso de dedicação total, full time", declara em entrevista ao globoesporte.com

Apesar da felicidade de comandar dois times de grande importância, ele revela que sua prioridade é o selecionado, que pode lhe dar um inédito ouro olímpico dentro de casa.

"Eu tinha um compromisso, de boca, anterior com a seleção. As duas coisas são importantes para mim, mas representar o meu país tem uma importância muito grande na minha vida. Foi uma decisão difícil e complicada de tomar, mas não tem como", comenta.

Ele revela uma certa decepção ao ter que se despedir do time campineiro, um dos melhores do país, que possui boa condição de brigar pelo título da Superliga. "Tenho uma ligação muito forte, porque ajudei a montar o time, um envolvimento pessoal. Hoje talvez a gente tenha uma das melhores estruturas do vôlei mundial, com uma empresa sólida, que dá um respaldo grande para a equipe e que está feliz com os resultados. É com dor no coração, estou triste, mas precisava tomar essa decisão. Acho que vai dar tudo certo no final. Vamos continuar com mais uma força que apareceu para dar sustentação ao vôlei brasileiro", revela.

A missão, agora, será observar de perto as jogadoras da seleção ao redor do mundo. O treinador já planeja viagens para países como Itália, Turquia, Rússia e Japão.

"Eu também queria estar em centros onde eu pudesse acompanhar mais de perto as jogadoras que vão estar nas Olimpíadas. Queria estudar porque era importante para mim. E foi um período importante para o meu crescimento, com títulos da Champions League e do Mundial de Clubes. Agora quero repetir isso, só que de forma diferente, sem estar treinando um time", indica.

Muito profissional, ele admite não se sentir á vontade como comandante de um time que enfrenta várias de suas jogadoras na seleção.

"Um inconveniente que mexe muito comigo vai deixar de existir: o fato de ter que jogar contra as jogadoras que eu treino durante seis meses na seleção me deixa apreensivo. Você treina para melhorá-las e aí vai ter que jogar contra. É uma situação desagradável, na qual não me sinto cavalheiro e isso mexe comigo", afirma.

A partir de maio, o Brasil terá à sua disposição, de forma integral, um dos maiores técnicos da história do volei mundial.