‘Substituto do álcool’ promete bebedeira, mas sem ressaca

Psiquiatra tomou o composto e, em minutos, estava bem para dar uma palestra

iG Minas Gerais |

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Futuro. Testes com o ‘substituto’ devem descobrir se as pessoas acham os efeitos tão agradáveis quanto os do álcool
Londres, Reino Unido. Imagine aproveitar os drinques na festa em comemoração do Natal sem correr o risco de ter ressaca no dia seguinte. Parece ficção científica, mas um antídoto para o mal estar do dia seguinte de uma bebedeira faz parte da lista de preocupações da neurociência moderna. Após algumas horas de embriaguez, o psiquiatra e neurofarmacologista britânico David Nutt experimentou um antídoto e conseguiu se recuperar em alguns minutos para dar uma palestra. O álcool é uma das drogas mais antigas e perigosas, responsável por 2,5 milhões de mortes ao redor do mundo, mais do que a malária ou a Aids. As razões para isso são conhecidas: o álcool é tóxico para todos os sistemas do corpo, particularmente, para fígado, coração e cérebro. A bebida deixa as pessoas mais desinibidas, provocando atitudes violentas e também pode causar dependência – cerca de 10% das pessoas ficam viciadas. A única forma de diminuir os danos da bebida é limitar o consumo aumentando preços e diminuindo sua disponibilidade. A outra saída é criar uma versão mais segura das bebidas alcoólicas. O grande alvo do álcool no cérebro são os neurotransmissores do sistema Gaba que, com o aumento de suas funções, gera sensação de relaxamento. No entanto, existe uma parte do Gaba que pode ser afetada por algumas drogas. Na teoria, podemos fazer um álcool substituto que faça as pessoas se sentirem relaxadas e sociáveis, mas sem os efeitos indesejados, como agressão e dependência. Testes. Cinco combinações foram identificadas e agora é preciso testá-las para descobrir se as pessoas acham os efeitos tão agradáveis quanto os provocados pelo álcool. O desafio é preparar um novo drinque que fique com boa aparência e sabor. A vantagem dessa descoberta científica é que, se é possível usar componentes para mexer com o sistema Gaba e produzir relaxamento na pessoa, no futuro será possível produzir outras drogas que funcionem como antídoto. “Depois de experimentar um dos compostos, fiquei relaxado e sonolento, embriagado por uma hora ou mais. Em seguida, após tomar o antídoto, levei alguns minutos para me recuperar e dar uma palestra sem qualquer prejuízo”, contou Nutt. É preciso financiamento para testar o produto e colocá-lo no mercado. Alguns contatos dentro da indústria do álcool sugeriram que as empresas estão interessadas, segundo ele. As informações são do site Huffington Post e do portal do jornal “The Guardian”. “Após tomar o antídoto, levei alguns minutos para me recuperar e dar uma palestra sem qualquer prejuízo” David Nutt. Pesquisador Flash  Contra. Entidades que fazem alerta contra o consumo de álcool demonstram preocupação, pois acreditam que o “substituto” possa levar ao vício.

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