Tráfico de pessoas pode render mais que o de drogas, diz delegada

Diante da constatação, Estado apresenta programa de combate ao tráfico de pessoas; objetivo é prevenir o trabalho escravo, a exploração sexual e a remoção ilegal de órgãos.

iG Minas Gerais | da redação |

A delegada chefe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida da Polícia Civil, Cristina Coelli, fez um alerta aos deputados e participantes da audiência promovida pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (12). O tráfico internacional de pessoas irá ocupar, em um curto espaço de tempo, o primeiro lugar em termos de rentabilidade para os criminosos, superando o tráfico de drogas e armas. Ela defendeu sua afirmação ao explicar que a logística do trafico humano é mais fácil e barata que os de materiais ilícitos. Para tanto, ela destacou a importância das campanhas de conscientização, que devem alertar para a gravidade do problema aos cidadãos e às polícias. “Há dois anos, estamos inserindo a temática na capacitação dos nossos agentes, mas é preciso compreender que o crime é silencioso, invisível e de difícil identificação”, lamentou. O coordenador-geral da Política de Prevenção à Criminalidade da Secretaria de Estado de Defesa Social, Talles Andrade de Souza, apresentou as ações do Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Estado. As ações, segundo ele, dividem-se entre o Núcleo de Enfrentamento; o Comitê Interinstitucional, formado por 23 órgãos públicos; e o Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante, que está em fase de implantação. “Atuamos com ações de prevenção, atenção à vítima e seus familiares e a repressão aos autores. As principais motivações, hoje, são o tráfico com fins de exploração sexual, trabalho escravo e para remoção de órgãos”, denunciou. Desde 2012, quando foi criado, o núcleo registrou 34 casos confirmados, 175 possíveis vítimas e 216 pessoas envolvidas com violações de direito no Estado.  Ao final da reunião, o deputado João Leite apresentou seis requerimentos motivados pelos debates, que serão votados na próxima reunião da comissão. Um deles pede audiências públicas em todas as cidades mineiras onde houver delegacias de Polícia Federal no ano que vem. Copa do Mundo motiva ações específicas A coordenadora do Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado, Flávia Gotelip, afirmou que existe um plano de ação para 2014, tendo como meta os riscos trazidos pela Copa do Mundo. De acordo com ela, os objetivos são obter orçamento para a efetiva implantação do Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante; a realização de campanhas de conscientização e sensibilização; a manutenção do Comitê Interinstitucional com a participação da sociedade civil; a realização de pesquisas para a definição de um diagnóstico do tráfico em Minas Gerais; e o fortalecimento de uma rede de enfrentamento nos municípios mineiros.  

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