Estudante forja carência e é denunciada por MP com quatro familiares

Além da jovem, que prestou vestibular para medicina, a mãe dela, o pai, o namorado e o sogro também estão sendo denunciados pelo Ministério Público; parentes teriam contribuído com a mulher para que ela fraude o sistema de cota da universidade

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

SDARC/DIVULGAÇÃO
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A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), na região Norte do Estado, anunciou nessa segunda-feira (11) o cancelamento da matrícula de Bianca Portugal Cardoso Rocha, de 19 anos, que cursava medicina. Foi comprovado que ela fraudou documentos e omitiu dados socieconômicos para conseguir uma vaga no curso por meio do sistema de cotas para alunos afrodescendentes e carentes. Além de abrir o processo administrativo, por meio de portaria, a universidade encaminhou comunicação ao Ministério Público Estadual, que investigou o caso e denunciou a estudante, a mãe dela Karyne Karen Simões Cardoso, o pai Eduvaldo Pereira da Rocha, o namorado Leonardo Brito Petroni e o pai dele João Carlos Sarmento Petroni, por "omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante", crime que tem pena prevista de um a cinco anos de reclusão, além de multa. Os parentes teriam ajudado Bianca a produzir as informações inverídicas apresentadas à universidade. Além disso, a ação penal do MP propõe que sejam R$ 5.000 a universidade para se reparar os danos causados pela fraude e que os acusados tenham os direitos políticos suspenso. O vestibular aconteceu em junho do ano passado e a estudante chegou a cursar um semestre. No entanto, a universidade recebeu denúncias e abriu um processo administrativo, que durou cerca de 60 dias. A comissão processante fez diligências, ouviu testemunhas e analisou documentos apresentados. Nesta investigação ficou provado que ela não se enquadrava nas exigências de carência, necessárias para pleteiar uma vaga. “A universidade estabelece documentos e informações que devem ser dadas e a partir disso é que a pessoa participa do processo. No caso, ela omitiu os dados e depois através de denúncias, apurou-se que ela não preenchia os requisitos”, explicou o procurador da Unimontes, Henderson Teixeira Ogando. Bianca também teria prestado vestibular em 2013 pelo sistema universal (sem solicitar cotas), mas não conseguiu a aprovação, de acordo com a ação penal do MP. De acordo com o procurador, a renda familiar não pode ser maior do que um salário mínimo por pessoa que resida no mesmo ambiente. Bianca teria dito que morava com a mãe e o irmão, na cidade e que a renda familiar era de R$ 1.700. Mas foi descoberto que ela mora apenas com a mãe e que o rapaz mora com o pai em Salinas, na mesma região. Além disso, o pai da moça é bancário e a mãe tem um comércio com sete funcionários e não uma empresa pequena como foi declarado. Ainda, foi levantado pelo Ministério Público que a mãe adquiriu, recentemente, um Honda Fit no valor de R$ 51 mil e que possui uma TV LED de 42 polegadas, no valor R$1.599. O MP informou ainda que o irmão de Bianca estudava em escola particular quando ela fez o vestibular e que ela teria apresentado gasto da família com o aluguel de uma casa, que na verdade pertence ao sogro dela. A jovem e a mãe moravam em uma cobertura luxuosa em Montes Claros, segundo o MP e a mãe de Bianca tem passaporte e já teria feito viagens para França, Alemanha, Suíça e para os Estados Unidos em 2007, 2009, 2011 e 2012, segundo levantou com a Polícia Federal. “Você tem que partir da boa fé das pessoas. Como você vai duvidar de todo mundo? As informações são checadas, mas se você quiser fraudar e falsificar um comprovante de residência ou de imposto de renda, você corre este risco (de ser descoberto depois). A universidade não pode duvidar do documento que você apresenta, assim como em qualquer repartição pública”, justificou Ogando. Já a questão da afrodescendência é estabelecida apenas pela autodeclaração do candidato. Segundo a assessoria da Unimontes, desde 2005, 45% das vagas da universidade são reservadas para cotistas, sendo que 20% para afrodescendentes, 20% para alunos provenientes de escolas públicas e 5% para portadores de necessidades especiais e indígenas. Em todos os casos, os candidatos devem comprovar carência. O promotor informou também que Bianca tem prazo de dez dias para recorrer, mas sem efeito suspensivo. Um novo aluno será convocado para ocupar a vaga. A reportagem não localizou a jovem ou o seu advogado para comentar o assunto. Confira a portaria, na qual o reitor assina o cancelamento da matrícula da estudante, no link abaixo. http://unimontes.br/images/stories/arquivos/portarias/2013/portaria_158.pdf Atualizada às 18h09.

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