Advogado mineiro comemora transplante de medula após um ano de espera

História de Gabriel Massote ficou conhecida na internet por causa de seu blog

iG Minas Gerais | ALINE DINIZ |

Advogado conseguiu realizar transplante depois de entrar na Justiça
“É hoje o dia da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar”. É citando Caetano Veloso que o advogado mineiro de Uberlândia Gabriel Massote, de 29 anos, comemora, em seu blog pessoal, o fim da espera de mais de um ano por um transplante de medula óssea. O procedimento ocorreu nessa segunda-feira (11), no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e Gabriel se recupera bem. Ele descobriu a leucemia em 2011, chegou a achar que estava curado, mas a doença voltou no ano passado. A doadora da medula é 100% compatível com o paciente. Gabriel ficou sabendo de sua existência no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome) em agosto. Confiante na cura da leucemia, o jovem mobilizou centenas de pessoas por meio da internet, e seu caso ficou conhecido no Brasil e em outros 39 países de onde foram registrados acessos em seu blog. Pela página e pelo perfil no Facebook, ele relata sua luta diária e incentiva que as pessoas se tornem doadoras de medula, além de encorajar outros pacientes com câncer a não desistirem da cura. Após o transplante, Gabriel postou no Facebook que o câncer tem saída e que é preciso acreditar: “Estou em plena recuperação”, disse. Briga judicial A espera pelo transplante foi acompanhada por uma cansativa briga judicial entre o paciente e o plano de saúde. Massote se mudou de Uberlândia para Goiânia em 2011. Cliente da Unimed BH desde 2006, ele transferiu seu plano para a Unimed Goiânia. Logo depois, descobriu a leucemia por meio de exames de sangue de rotina. Porém, vários exames e o tratamento inicial da doença foram negados porque o plano afirmou que, para casos oncológicos, eram necessários seis meses de carência. Ele tentou tratamento em um hospital público em Goiânia, no entanto, segundo Gabriel, faltavam até instrumentos para coleta de sangue. Com as plaquetas baixas, Massote entrou em desespero e, mesmo com médicos não recomendando a viagem cansativa, foi para São Paulo. Lá, ele pagou pelo início do tratamento - a mãe do jovem precisou vender a casa. Depois, acionado na Justiça, o plano de saúde propôs um acordo e ressarciu a família. O advogado relata que aceitou o dinheiro para dar uma nova casa para sua mãe. Um ano depois, quando já se julgava curado, a doença voltou. A Unimed Goiânia, ainda segundo Gabriel, informou que o tempo de carência tinha passado e que ele teria acesso ao tratamento, mas que o transplante precisaria ser feito na capital goiana, porque o convênio dele “pertence” à cidade. Mas não existem, no município, hospitais aptos a realizar o procedimento. O paciente, então, recorreu à Justiça e, em agosto de 2013, a juíza Heloísa Silva Mattos, da 4ª Vara Cível de Goiânia, obrigou que o convênio autorizasse, em 24 horas, a internação de Gabriel no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde tinha feito a primeira parte do tratamento. Logo após a internação, a Unimed recorreu da decisão e venceu, obrigando Gabriel a mudar de hospital. O plano de saúde apresentou uma lista de dez hospitais conveniados e com menor custo onde o rapaz poderia realizar o procedimento. Porém, de acordo com Gabriel Massote, em oito deles havia vagas apenas para 2014 e 2015, e um não realiza o transplante. O paciente foi transferido para a única alternativa restante, mas não se conformou e recorreu novamente à Justiça. Ele queria continuar o tratamento com a equipe médica do Sírio Libanês, que já conhecia seu caso. Na decisão do recurso, o juiz Sérgio Mendonça de Araújo considerou que, apesar de o hospital Sírio Libanês estar inserido no conceito de alto custo e o tratamento em tal unidade custar cerca de R$ 1,5 milhão, não houve elementos no processo que comprovassem tal alegação, pois o valor antecipado exigido pela instituição médica foi de R$ 800 mil, quantia compatível com o informado pela empresa como o custo aproximado do serviço prestado em qualquer outra unidade conveniada à Unimed Nacional. Já o convênio alegou que não haveria a necessidade de o procedimento ser realizado em um prestador de alto custo como o hospital paulista. Foi alegado, ainda, que o hospital não é conveniado ao plano, e que existem outras instituições que poderiam fazer o mesmo tratamento. Mas a Unimed Goiânia foi obrigada a custear o transplante e todo o tratamento necessário. Procurada pela reportagem de O TEMPO, a Unimed Goiânia não se pronunciou sobre o caso.  

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