Aumento de coágulos eleva riscos para vida de gestantes e bebês

Complicações causadas por mutação também podem dificultar gravidez

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

É na dificuldade para engravidar ou quando perdem os seus bebês, que muitas mães descobrem que são mais propensas a desenvolver coágulos no sangue. A trombofilia, como esse quadro clínico é conhecido, pode ser tanto hereditária quanto adquirida. No segundo caso, a obesidade, o tabagismo e o uso de anticoncepcionais são apontados como os principais fatores de risco. O problema ocorre porque algumas pessoas possuem alterações nas substâncias e proteínas que regulam a coagulação do sangue, segundo explica o especialista em doenças vasculares, Ernesto Lentz.   “Nosso sangue tem dois mecanismos que funcionam em harmonia – um de coagulação e outro de anticoagulação. Eles são como uma balança que, quando desequilibra para o lado da coagulação, acontece a trombose – coagulação dentro de um vaso sanguíneo. Esse desequilíbrio é que chamamos de trombofilia”, afirma. Talita Cristina Costa e Silva, 27, da cidade de Amparo, em São Paulo, descobriu o problema após a morte do seu bebê aos cinco meses de gravidez. “Pelo estudo da placenta, desconfiei que possuía trombos, enfartes e calcificação. Fui a seis médicos que me diziam que uma perda era normal. Até que convenci um médico a me encaminhar para um especialista em aconselhamento genético. Com ele, descobri o problema. Hoje estou grávida novamente, medicada e bem acompanhada”, diz. Chances. A gravidez por si só já aumenta o risco de desenvolver coágulos sanguíneos, e as pessoas com trombofilia são ainda mais propensas a desenvolver coágulos de sangue. Dessa forma, mulheres grávidas nessa condição têm maiores chances que as demais. A relação de trombofilia com a perda gestacional existe, mas é fraca. Antes de ser confirmada como a “vilã”, devem ser excluídas todas as outras causas obstétricas que são mais comuns, afirma o patologista clínico e hematologista Daniel Dias Ribeiro. “Cerca de 15% das pessoas no mundo podem ter alterações nos mecanismos de coagulação, o que é uma incidência muito alta para a medicina. Porém, a tendência a ter trombose relacionada à perda gestacional atinge 0,1% das pessoas no mundo. Ou seja, não basta ter trombofilia para ter trombose. Muitas vão ter uma gestação normal sem saber que tem trombofilia”, explica Ribeiro. Segundo o hematologista, durante a gestação é possível lançar mão de alguns exames para detectar os possíveis sinais de que a gravidez corre riscos. “A ultrassonografia com doppler identifica se há dificuldades na troca de sangue entre a mãe e o bebê. É um exame que deveria ser feito com 28 semanas e apesar de não ser obrigatório está ficando mais rotineiro”, diz. Caso a grávida tenha histórico na família, tenha tido abortos repetidos ou pré-eclâmpsia grave (aumento da pressão arterial), o tratamento é feito com medicamentos anticoagulantes para “diluir” o sangue.

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